O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que a condução da política monetária pelo Banco Central ocorre em um ambiente permanente de pressão por parte de diferentes agentes econômicos.
Em entrevista à Rádio BandNews FM, Haddad defendeu a atuação técnica da autoridade monetária e avaliou que o processo decisório é “sempre muito tenso”.
Segundo o ministro, o Banco Central enfrenta pressões constantes, tanto legítimas quanto ilegítimas, o que torna o ambiente de tomada de decisão complexo.
“O Banco Central é um órgão técnico e dificilmente ele vai deixar de ser, porque as pressões sobre o BC se fazem presentes o tempo todo e a condução da política monetária se dá nesse cenário de muita pressão”, declarou.
Durante a entrevista, Haddad comentou ter estranhado o que classificou como uma “reação orquestrada” após o vazamento da possível indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central.
O ministro ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não tomou decisão sobre as indicações.
Haddad afirmou que não pretende concentrar o debate nas nomeações, por se tratar de prerrogativa do presidente da República.
Leia mais:
- Cresol libera R$ 16,8 bilhões no Plano Safra 2025/26 e projeta ampliar crédito no próximo ciclo
- Agro registra US$ 87 bilhões em exportações no semestre com recordes em carnes e soja
- Waze amplia recursos com IA e passa a oferecer comandos por voz e rotas personalizadas
- Argentina x Inglaterra: histórico, campanhas, curiosidades e quem chega favorito à semifinal da Copa do Mundo 2026
- França x Espanha: histórico, campanhas, curiosidades e quem chega favorito à semifinal da Copa do Mundo 2026
Ainda assim, relembrou que tanto ele quanto Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, também foram alvo de críticas de agentes do mercado financeiro, especialmente da região da Faria Lima, quando assumiram seus cargos.
Ao tratar da política monetária, Haddad reconheceu que há divergências quanto ao atual nível da taxa Selic. Segundo ele, parte da academia, do mercado e do governo considera os juros em patamar restritivo, enquanto outros discordam dessa avaliação.
“O mercado pode pedir aumento de juros, mas a sociedade também pode dizer que o remédio está amargo demais”, afirmou.
O ministro também avaliou que há um reconhecimento crescente de que o Banco Central atua com a intenção de cumprir seu mandato da melhor forma possível.
“As pessoas têm percebido que o Banco Central é uma instituição que tenta fazer o melhor possível”, disse, acrescentando que não há questionamento sobre a intenção da autoridade monetária.
Haddad reiterou que política fiscal e política monetária precisam caminhar de forma harmonizada. Ele voltou a defender que a taxa Selic em 15% não está relacionada ao déficit primário e lembrou que esse indicador foi reduzido em cerca de 70% nos últimos dois anos.
Foto: Agencia Brasil

