O cofundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que não descarta a possibilidade de, no futuro, a própria empresa ser administrada por um sistema de inteligência artificial.
A declaração foi feita em entrevista à revista Forbes, na qual o executivo reforçou que a busca pela inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês) continua sendo a missão central da companhia.
Altman destacou que todas as decisões estratégicas da OpenAI, desde o desenvolvimento de modelos de linguagem até os investimentos em infraestrutura e hardware, estão alinhadas a esse objetivo de longo prazo.
“Estou 110% focado na OpenAI e na missão de AGI”, afirmou, ao comentar críticas de que a empresa estaria dispersa em muitos projetos simultâneos.
Segundo Altman, embora o conceito de inteligência artificial geral ainda seja difícil de definir com precisão, a OpenAI já estaria próxima desse patamar.
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Em declarações anteriores, o executivo chegou a dizer que a empresa teria construído a AGI “ou algo muito próximo disso”.
A avaliação, porém, não é consenso no setor. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou recentemente que ainda estamos longe de alcançar a AGI.
Após essas divergências, Altman ajustou o discurso, reconhecendo que o avanço até a inteligência artificial geral ainda exige uma série de progressos intermediários.
Mesmo assim, o CEO acredita que não será necessário um salto tecnológico radical, mas sim a continuidade da evolução dos sistemas atuais.
Para isso, defende uma expansão massiva da capacidade computacional, com investimentos estimados em até US$ 1,4 trilhão ao longo dos próximos oito anos.
Essa estratégia explica a atuação de Altman em empresas do setor energético, como a Helion, voltada à fusão nuclear, e a Oklo, que desenvolve pequenos reatores de fissão. Segundo ele, garantir fontes estáveis de energia é essencial para sustentar o crescimento da infraestrutura de IA.
Outro eixo da estratégia da OpenAI envolve o desenvolvimento de novas interfaces físicas para a inteligência artificial. A empresa adquiriu a startup de hardware io, fundada por Jony Ive, por US$ 6,5 bilhões, sinalizando a intenção de ir além das interfaces tradicionais baseadas em telas.
À Forbes, Altman descreveu a visão de dispositivos com “consciência contextual extrema” e capacidade de assistência proativa, integrados ao cotidiano das pessoas, uma espécie de “ChatGPT físico”. O executivo, no entanto, reconheceu os riscos do projeto.
“Pode ser um fracasso. Não foram muitas as vezes na história em que as pessoas descobriram uma interface de computação fundamentalmente nova”, afirmou.
Além do ChatGPT e do Sora, a OpenAI também trabalha no desenvolvimento de um chip próprio de IA, avalia a criação de uma rede social e estuda aplicações como robôs humanoides industriais.
O conjunto diversificado de iniciativas alimenta críticas de que a OpenAI estaria tentando se tornar “grande demais para quebrar”.
O presidente do conselho da empresa, Bret Taylor, rejeitou essa interpretação, afirmando à Forbes que não há um plano oculto, mas sim entusiasmo com o potencial transformador da inteligência artificial.
Internamente, parte da equipe demonstra preocupação com o ritmo acelerado de lançamentos e com o aumento da concorrência, especialmente após a recepção considerada morna do GPT-5. Ainda assim, Altman defende a estratégia de lançar produtos rapidamente como essencial para manter a relevância da empresa no setor.
Ao ser questionado sobre o que poderia vir depois da inteligência artificial geral, Altman foi direto ao afirmar que considera plausível que a própria OpenAI seja, no futuro, administrada por uma IA.
“Se o objetivo é que a inteligência artificial se torne capaz de administrar empresas, então por que não a minha?”, disse. “Eu nunca ficaria no caminho disso.”

