O cooperativismo brasileiro integrou a agenda internacional de debates sobre desenvolvimento social nesta semana, durante a 64ª sessão da Comissão para o Desenvolvimento Social das Nações Unidas, realizada na sede da ONU, em Nova York.
A superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, participou de dois encontros estratégicos: o Fórum Multistakeholder da Comissão, na quinta-feira (5), e um evento paralelo promovido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), na sexta-feira (6).
No Fórum Multistakeholder, lideranças globais discutiram caminhos para a redução da pobreza, geração de empregos e promoção de sociedades mais inclusivas, com destaque para modelos econômicos baseados na cooperação.
Em painel dedicado a parcerias e financiamento, Fabíola destacou que a ampliação de soluções locais depende de instrumentos financeiros alinhados às realidades das comunidades.
Segundo ela, as cooperativas devem ser reconhecidas como parceiras estratégicas na arquitetura de financiamento dos países, por sua capacidade de gerar empregos, promover inclusão e fortalecer a resiliência econômica em nível local.
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Ao apresentar a experiência do Brasil, Fabíola ressaltou que o reconhecimento institucional e a existência de marcos regulatórios adequados permitiram a ampliação do acesso ao crédito para pequenos negócios, produtores rurais e territórios historicamente menos atendidos pelo sistema financeiro tradicional.
Atualmente, as cooperativas de crédito brasileiras atendem mais de 20 milhões de pessoas, somam cerca de R$ 885 bilhões em ativos e estão presentes como única instituição financeira em 469 municípios do país.
A superintendente também destacou a importância da parceria entre cooperativas e poder público, afirmando que políticas consistentes e representação institucional fortalecem o ambiente de negócios e contribuem para a estabilidade do crescimento do modelo cooperativista.
Outro exemplo citado foi a atuação conjunta com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entre 2023 e junho de 2025, o banco aprovou R$ 96 bilhões em financiamentos verdes, sendo 73% das operações realizadas por meio de bancos cooperativos e cooperativas de crédito.
No segundo compromisso da agenda, o evento organizado pelo Comitê para a Promoção e o Avanço das Cooperativas (Copac) abordou o papel das cooperativas e das organizações da economia social e solidária na transformação de compromissos globais em políticas públicas voltadas à redução das desigualdades e ao fortalecimento do desenvolvimento sustentável.
Fabíola afirmou que o cooperativismo contribui para aproximar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da realidade das comunidades, ao ampliar o acesso a mercados, financiamento e serviços essenciais.
Segundo ela, baseadas em governança democrática e solidariedade, as cooperativas promovem inclusão social, ampliam o acesso ao crédito, geram trabalho decente e contribuem para manter a riqueza nos territórios onde atuam. Também exercem papel relevante no empoderamento feminino, tema que ganha destaque com a celebração do Ano Internacional da Mulher Agricultora, em 2026.
A superintendente ressaltou ainda que a ampliação do impacto do modelo depende de ambientes regulatórios favoráveis, capazes de estimular investimentos, inovação e expansão dos serviços cooperativos.
Ao final dos debates, Fabíola defendeu que os Estados-membros da ONU reconheçam o cooperativismo como parceiro estratégico do desenvolvimento, especialmente nas agendas de inclusão social, sustentabilidade e crescimento econômico.
Foto:Agência Brasil

