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Home Adoção de IA acelera programas de privacidade e redefine governança de dados, aponta Cisco
Adocao de IA acelera crescimento

Adoção de IA acelera programas de privacidade e redefine governança de dados, aponta Cisco

  • Marlon Barcelos
  • 11 de fevereiro de 2026

A expansão da inteligência artificial está levando empresas a reformular suas estratégias de privacidade e governança de dados.

É o que revela o Data and Privacy Benchmark Study 2026, divulgado pela Cisco, que aponta a IA como principal vetor de transformação na gestão de dados corporativos.

Segundo o levantamento, quase todas as organizações vêm ampliando seus programas de privacidade para lidar com a crescente complexidade dos sistemas baseados em IA.

A pesquisa ouviu 5.200 profissionais de tecnologia e segurança digital com atuação em privacidade de dados em 12 países, incluindo o Brasil.

No país, 95% das empresas relatam ter expandido iniciativas de privacidade, acima da média global, de 90%. Além disso, 91% planejam novos investimentos na área (93% no cenário global).

O volume de recursos destinados ao tema também aumentou. Em 2025, 38% das organizações no mundo investiram pelo menos US$ 5 milhões em programas de privacidade, frente a 14% em 2024. No Brasil, 31% das empresas alcançaram esse patamar no último ano.

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O estudo indica uma mudança estrutural na forma como a privacidade é percebida. Globalmente, 96% das organizações afirmam que estruturas robustas de privacidade viabilizam agilidade e inovação em IA, enquanto 95% reconhecem que a proteção de dados é essencial para construir confiança em serviços baseados na tecnologia.

No Brasil, essa percepção é ainda mais forte: 98% associam privacidade à inovação em IA e 97% à construção de confiança com clientes.

De acordo com a Cisco, a governança de dados deixa de ser vista apenas como obrigação regulatória e passa a atuar como facilitadora estratégica de negócios. No cenário global, 99% das organizações relatam ao menos um benefício tangível de suas iniciativas de privacidade, como maior agilidade, inovação e fidelização.

Entre as empresas brasileiras, 57% apontam a comunicação clara sobre coleta e uso de dados como principal mecanismo para gerar confiança, ante 46% na média global.

Apesar da expansão dos programas, a maturidade das estruturas de governança ainda é limitada. Três em cada quatro organizações no mundo afirmam possuir um órgão dedicado à governança de IA, mas apenas 12% consideram essas estruturas maduras. No Brasil, esse índice chega a 20%.

Outro desafio envolve qualidade e acesso a dados. Globalmente, 65% das organizações enfrentam dificuldades para acessar dados relevantes de maneira eficiente. No Brasil, esse percentual sobe para 73%.

Para Jen Yokoyama, vice-presidente sênior de Inovação Jurídica e Estratégia da Cisco, a IA exige uma abordagem mais ampla de governança.

“A IA está forçando uma mudança fundamental no panorama de dados, exigindo uma governança holística de todos os dados, pessoais e não pessoais”, afirmou. Segundo ela, não se trata apenas de compliance, mas de viabilizar escala para inovação.

O estudo também destaca desafios relacionados à localização de dados e fluxos transfronteiriços.

Globalmente, 81% das organizações enfrentam maior complexidade devido a exigências de localização de dados. No Brasil, o índice é de 88%. Em ambos os casos, 85% afirmam que essas regras elevam custos, aumentam riscos e dificultam serviços internacionais.

Além disso, 77% relatam que tais exigências limitam a oferta contínua de serviços 24 horas por dia entre mercados.

A preferência por parceiros globais também cresceu: 82% das empresas acreditam que provedores com presença internacional gerenciam melhor fluxos transfronteiriços. Já a percepção de que dados armazenados localmente são mais seguros caiu de 90% em 2025 para 86% em 2026.

Para Harvey Jang, vice-presidente e diretor de privacidade da Cisco, há demanda por maior padronização regulatória. “Para aproveitar todo o potencial da IA, as organizações defendem uma mudança em direção a padrões internacionais harmonizados”, afirmou.

O estudo conclui que, para migrar de um modelo reativo de compliance para uma estratégia proativa, empresas precisam investir em infraestrutura robusta de dados, transparência, segurança integrada e governança consistente de IA.

A consolidação dessas práticas, segundo a Cisco, será determinante para sustentar inovação responsável e competitividade na economia digital orientada por inteligência artificial.

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