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Home Lei de Incentivo à Reciclagem amplia oportunidades para cooperativas e fortalece economia circular
funcionarios trabalhando em fabrica de reciclagem

Lei de Incentivo à Reciclagem amplia oportunidades para cooperativas e fortalece economia circular

  • Marlon Barcelos
  • 24 de junho de 2026

A entrada em operação dos primeiros projetos apoiados pela Lei de Incentivo à Reciclagem começa a abrir novas perspectivas para cooperativas que atuam na coleta, triagem e comercialização de resíduos no Brasil. Em São Paulo, a Cooperativa Crescer deu início, no começo de junho, ao projeto Parceria que Recicla o Futuro, uma iniciativa voltada à modernização da estrutura operacional e administrativa da organização.

Com duração prevista de 15 meses, o projeto está entre os primeiros autorizados a entrar em execução por meio da legislação e conta com apoio financeiro de empresas privadas. A proposta prevê a aquisição de equipamentos para movimentação, transporte e processamento de materiais recicláveis, além de investimentos em gestão e comunicação institucional.

Modernização busca ampliar capacidade produtiva

Fundada em 2006, a Cooperativa Crescer atua na região noroeste da capital paulista e reúne atualmente 62 cooperados. A expectativa é que a nova estrutura permita ampliar a capacidade de coleta seletiva, triagem e processamento de resíduos, além de aumentar em 20% o número de integrantes da cooperativa.

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Segundo o presidente da organização, Jair do Amaral, os investimentos devem gerar impactos diretos na produtividade e na geração de renda.

“Com a nova estrutura, será possível ampliar nossa capacidade produtiva, gerar novos postos de trabalho e elevar a renda média dos cooperados”, afirmou.

A iniciativa evidencia o potencial da Lei de Incentivo à Reciclagem para aproximar recursos privados de organizações que historicamente enfrentam dificuldades para financiar melhorias operacionais.

Desafios vão além dos equipamentos

Apesar dos avanços, representantes do setor destacam que a modernização das cooperativas depende também de capacitação técnica, gestão qualificada e conscientização da população.

Na Cooperativa Viver Bem, também localizada em São Paulo, chegam mensalmente entre 250 e 300 toneladas de resíduos. No entanto, apenas cerca de 160 toneladas são efetivamente reaproveitadas. Parte significativa do material precisa ser descartada devido à contaminação por restos de alimentos, resíduos sanitários ou separação inadequada.

Além dos impactos operacionais, a situação afeta diretamente a renda dos trabalhadores e aumenta os riscos durante a triagem.

Para a presidente da cooperativa, Tereza Montenegro, muitas organizações enfrentam dificuldades por falta de suporte técnico especializado.

“Deveria haver assessoria técnica desde o berço das cooperativas. Nem todas contam com pessoas que têm formação ou informação para gerir o negócio, liderar equipes, negociar vendas ou lidar com a operação do dia a dia. Muitas surgem, mas não conseguem sobreviver”, avaliou.

Mesmo diante dos desafios, a Viver Bem participa de projetos de logística reversa, rastreabilidade de resíduos, créditos de reciclagem e iniciativas ligadas à certificação de carbono, ampliando sua atuação dentro da economia circular.

Reciclagem também promove inclusão social

O impacto das cooperativas vai além da gestão ambiental. Na Cooperativa Rainha da Reciclagem, localizada na Zona Leste de São Paulo, 45 mulheres atuam diariamente na triagem e comercialização de materiais recicláveis. Entre elas, 15 são acolhidas pelo Centro de Acolhimento Guerreiros de Deus, encontrando na atividade uma oportunidade de reconstrução social e geração de renda.

Histórias como a de Geane Fonseca de Souza, cooperada da Viver Bem há mais de dois anos, mostram como a atividade também contribui para a qualidade de vida das famílias.

“Hoje consigo acompanhar mais a minha família e organizar melhor minha rotina com meus filhos. Gosto do que faço porque sei que estou contribuindo para o meio ambiente”, relatou.

Reconhecimento do serviço ambiental

Embora desempenhem papel fundamental na redução de resíduos e na preservação ambiental, os catadores ainda dependem majoritariamente da venda dos materiais recicláveis para garantir renda.

Para especialistas do setor, é necessário avançar no reconhecimento econômico dos serviços prestados pelas cooperativas. A coordenadora financeira da Coomcat, Marilane Poeckel, defende que a remuneração dos trabalhadores não pode estar limitada apenas ao valor de mercado dos resíduos.

“O catador não pode ser remunerado apenas pela venda do material. O resíduo tem valor social, econômico e ambiental. É preciso reconhecer e remunerar o serviço ambiental prestado por esses trabalhadores”, afirmou.

O avanço da reciclagem no país passa por uma combinação de investimentos, qualificação profissional, contratos mais estáveis, políticas públicas e maior participação da população na separação correta dos resíduos. Nesse cenário, a Lei de Incentivo à Reciclagem surge como uma ferramenta importante para fortalecer cooperativas e ampliar o impacto positivo da economia circular nas cidades brasileiras.

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Marlon Barcelos

Foto: Magnific

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