O setor brasileiro de papel e celulose está entre os mais afetados pela tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 24% das exportações do segmento destinadas ao mercado norte-americano serão impactadas pela medida, que entrou em vigor nesta terça-feira (22).
O estudo aponta que papel e celulose lideram a lista dos setores industriais mais expostos à nova sobretaxa, à frente de segmentos como madeira, máquinas e equipamentos, produtos químicos e móveis.
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Papel e celulose lideram lista de setores mais afetados
De acordo com a CNI, os principais produtos do segmento atingidos pela tarifa incluem:
- pasta química de madeira;
- papel e cartão para escrita;
- massa base utilizada na fabricação de embalagens para bebidas;
- papel com revestimento térmico direto.
O levantamento considera as exceções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos, mas mostra que parte relevante das exportações brasileiras de maior valor agregado continuará sujeita à nova tributação.

Setores mais expostos ao novo tarifaço
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, os segmentos industriais com maior parcela das exportações afetadas são:
| Setor | Exportações atingidas |
|---|---|
| Papel e celulose | 24,0% |
| Madeira | 19,9% |
| Máquinas e equipamentos | 18,2% |
| Produtos químicos | 17,9% |
| Móveis | 17,3% |
A entidade avalia que a incidência da tarifa sobre esses segmentos pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Medida afeta US$ 11 bilhões em exportações
Segundo a CNI, a tarifa adicional incidirá sobre aproximadamente US$ 11 bilhões em exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a 26,2% de tudo o que o Brasil vende ao país.
Os US$ 31,1 bilhões restantes, correspondentes a 73,8% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, permaneceram fora da nova sobretaxa em razão das exceções previstas pelo governo dos Estados Unidos.
A medida é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), iniciada após o anúncio das primeiras tarifas sobre produtos brasileiros.
Governo e setor produtivo acompanham desdobramentos
Na avaliação da CNI, a manutenção das tarifas sobre produtos estratégicos pode ampliar a concorrência de fornecedores internacionais e reduzir a participação da indústria brasileira no mercado americano.
Após a entrada em vigor da medida, o governo brasileiro classificou o episódio como um momento negativo nas relações comerciais entre os dois países.
Ao mesmo tempo, representantes de setores afetados informaram ao governo que acompanham as discussões sobre uma eventual aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, destacando a importância de avaliar os possíveis impactos para as empresas exportadoras.
Foto: ChatGPT

