Levantamento com 1.340 cooperativas mostra adoção acelerada da tecnologia, mas baixa formalização de regras, metas e orçamento.
O Sistema OCB publicou na segunda-feira (19) a 3ª Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro, que ouviu 1.340 cooperativas de todas as regiões do país, a maior amostra das três edições. Entre as cooperativas que responderam às perguntas sobre o tema, 60,9% já usam alguma solução de inteligência artificial, mas só 9,4% têm uma política institucional consolidada.
O dado chama atenção porque mostra a tecnologia chegando à operação antes que regras, metas e estruturas internas estejam definidas. É um retrato que ajuda a entender o momento do cooperativismo e também o de muitas empresas que contratam serviços no mercado.
Onde a IA já está sendo usada
Segundo a pesquisa, as aplicações mais comuns se concentram em chatbots e assistentes virtuais, IA generativa, análise de dados e automação de processos.
- Atendimento: chatbots e assistentes virtuais
- Conteúdo: ferramentas de IA generativa
- Gestão: análise de dados
- Operação: automação de processos
São usos que costumam ter retorno mais rápido e exigir menos investimento inicial, o que ajuda a explicar a adoção mesmo em organizações sem área de inovação formalizada.
Uso avança mais rápido que a governança
A distância entre adotar e estruturar aparece em vários indicadores. Apenas 13,6% das cooperativas têm metas e acompanhamento formalizados, 37,2% não contam com uma área dedicada ao tema e 17,1% não têm ninguém formalmente responsável pela inovação.
O orçamento também é curto. Quase metade (48%) não destina recursos ou destina menos de 1% do orçamento à inovação. Sem política de uso e sem um responsável pelo tema, decisões sobre quais ferramentas adotar, que dados podem ser compartilhados e como medir resultado tendem a ficar dispersas.
Falta de recursos e de conhecimento lideram as barreiras
Entre os obstáculos citados, a falta de orçamento aparece em primeiro lugar (51,1%), seguida pela resistência à mudança (47,3%), pela falta de conhecimento (35,9%) e pela complexidade tecnológica (31,6%).
A capacitação é a principal demanda. Entre as cooperativas que responderam sobre o que esperam do Sistema OCB, 69,6% pediram formação, enquanto apenas 30,9% relatam formação estruturada em inovação.
Medir o efeito das iniciativas ainda é um desafio. Melhoria de processos e redução de custos são os impactos mais lembrados, por 44% das respondentes, mas 26,2% ainda não identificaram resultados.
Estrutura dedicada faz diferença
Entre as cooperativas com área e equipe próprias de inovação, 69,6% executaram seis ou mais projetos nos dois anos anteriores ao levantamento. O índice cai para 17,5% quando profissionais acumulam a função e para 4,1% onde não há estrutura dedicada.
Para apoiar o setor, o Sistema OCB aponta as soluções do InovaCoop, que reúnem conteúdos de capacitação, oficinas, conexão com startups e um radar de oportunidades de financiamento.
O que isso significa para as empresas
Em muitas empresas, a IA também entrou pela porta da operação, antes de existir política, responsável definido e indicador de resultado. A pesquisa sugere que o ganho tende a ser maior quando há estrutura, liderança envolvida e acompanhamento das entregas.
Para quem contrata serviços, isso traz duas questões práticas. A primeira é incluir o uso de IA na conversa com prestadores, com critérios claros sobre dados, segurança e responsabilidade pelas entregas. A segunda é reconhecer que a falta de conhecimento especializado pesa na adoção. Contar com profissionais qualificados em dados, automação e tecnologia, contratados por escopo, metas e resultados, pode ser um caminho para avançar sem montar toda a estrutura internamente.
