A Anthropic iniciou uma ofensiva junto ao governo dos Estados Unidos para tentar reverter as restrições impostas aos seus modelos de inteligência artificial Fable 5 e Mythos 5. A medida, anunciada pela administração do presidente Donald Trump na última sexta-feira (12), levou a empresa a suspender o acesso internacional às ferramentas enquanto busca uma solução junto às autoridades federais.
Segundo informações divulgadas pela CNBC, representantes da startup e integrantes do governo americano realizaram reuniões ao longo do fim de semana e mantêm novas rodadas de negociações previstas para esta segunda-feira (15). O objetivo é encontrar um caminho que permita restabelecer o uso dos modelos sem descumprir as exigências de segurança cibernética levantadas pela Casa Branca.
O impasse surgiu após avaliações de órgãos federais sobre os mecanismos de proteção dos sistemas. Pesquisas recentes indicaram que os modelos poderiam ser utilizados para identificar vulnerabilidades em softwares, o que gerou preocupações dentro da administração americana.
Leia mais:
- Anthropic intensifica negociações para reverter bloqueio dos EUA a modelos avançados de IA
- Nordeste ganha protagonismo na expansão da agricultura orgânica no Brasil
- PNAE fortalece agricultura familiar no Pará e amplia participação de cooperativas na alimentação escolar
- Apple e Google ampliam aposta em IA para consumidores enquanto OpenAI reforça foco corporativo
- União Europeia anuncia pacote de € 540 milhões para apoiar compra de fertilizantes
Governo e empresa buscam solução negociada
De acordo com o The Wall Street Journal, as conversas envolveram autoridades de alto escalão e executivos da Anthropic. Participaram das discussões o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, o diretor nacional de cibernética, Sean Cairncross, além de Tom Brown, cofundador e diretor de computação da Anthropic, e Sarah Heck, responsável pela área de políticas públicas da empresa.
Fontes ouvidas pela publicação afirmam que há interesse de ambas as partes em encerrar rapidamente o impasse. Ainda assim, as condições necessárias para a retomada do acesso aos modelos permanecem indefinidas.
Paralelamente, especialistas da área de segurança digital criticaram a decisão do governo. Um grupo de pesquisadores encaminhou uma carta à administração federal defendendo a revogação das restrições.
Na avaliação dos signatários, a medida prejudica tanto a comunidade de defesa cibernética quanto a competitividade dos Estados Unidos no setor de inteligência artificial.
“Essa ação tirou os melhores modelos dos defensores, criou incerteza no mercado e colocou em risco a liderança de IA dos Estados Unidos sem nenhum risco real para justificá-la”, afirmaram os especialistas.
Origem da controvérsia
O bloqueio ocorre após meses de divergências entre a Anthropic e órgãos governamentais sobre regras de supervisão e utilização de sistemas avançados de inteligência artificial.
Segundo a reportagem, a situação ganhou força após pesquisadores ligados à Amazon demonstrarem formas de contornar determinadas barreiras de proteção do modelo Fable. Os testes permitiram identificar vulnerabilidades em pelo menos quatro programas de computador por meio de modificações na formulação dos comandos enviados ao sistema.
Especialistas destacaram, porém, que o estudo não mostrou a criação de ferramentas ofensivas para ataques cibernéticos. O trabalho teria demonstrado apenas a capacidade de localizar falhas em softwares, uma atividade que também pode ser utilizada por equipes responsáveis pela proteção de redes e sistemas.
A Anthropic argumenta que as vulnerabilidades identificadas eram relativamente simples e poderiam ser encontradas por outros modelos de IA já disponíveis no mercado. A empresa também sustenta que os resultados não representam uma quebra completa dos mecanismos de segurança implementados.
Pressão aumenta sobre a empresa
Em meio à escalada da crise, a Anthropic enviou a Washington parte de sua equipe especializada em segurança e avaliação de riscos. A missão dos especialistas é apresentar detalhes técnicos sobre as salvaguardas existentes e demonstrar que os modelos continuam operando dentro de padrões considerados seguros.
Apesar dos esforços, a pressão regulatória aumentou rapidamente. Após discussões internas e contatos com representantes do setor privado, o governo determinou a suspensão dos modelos, levando a empresa a interromper o acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 ainda na mesma noite.

Para parte da comunidade de segurança digital, a resposta foi desproporcional. Katie Moussouris, diretora-executiva da empresa de cibersegurança Luta Security, afirmou que a retirada do Mythos 5 pode gerar efeitos negativos para atividades de defesa digital e para os próprios interesses estratégicos dos Estados Unidos.
O caso ocorre em um momento de forte disputa global pela liderança em inteligência artificial e amplia o debate sobre o equilíbrio entre inovação tecnológica, segurança cibernética e regulação governamental. Enquanto as negociações seguem em andamento, o mercado acompanha de perto o desfecho de um conflito que pode influenciar futuras políticas para modelos avançados de IA.
Foto: Magnific

