Iniciativas voltadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento comunitário começam a ganhar força em Minas Gerais após a participação de cooperativistas na Missão Técnica Acelerador de Projetos Sustentáveis, realizada na Católica-Lisbon School of Business and Economics, da Universidade Católica Portuguesa.
A formação reuniu representantes de cooperativas mineiras com o objetivo de aprimorar projetos de impacto social, econômico e ambiental.
No Vale do Mucuri, região onde grande parte das famílias depende da produção rural, estudantes da Escola Família Agrícola de Santa Helena de Minas passaram a aprender técnicas de recuperação de áreas degradadas, preservação de nascentes e conservação de recursos hídricos.
O conhecimento é voltado para aplicação direta nas propriedades rurais da região. A iniciativa é conduzida em parceria pelo Sicoob Credinorte e pelo Sicoob Carlos Chagas e foi fortalecida com a participação das cooperativas na missão técnica promovida pelo Sistema Ocemg.
O programa busca apoiar cooperativas que concluíram o Programa de Agentes de Transformação e Promoção Social (ATPS) na estruturação de projetos com impacto nas comunidades onde atuam.
Realizada entre 1º e 6 de março, a missão é organizada em seis módulos que abordam desde a identificação da inovação social até a comunicação das iniciativas para a sociedade. A proposta é oferecer orientação técnica, metodologias de planejamento e um espaço de troca de experiências entre cooperativas.
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Segundo o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, a formação contribui para fortalecer iniciativas que combinam desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
“Ao unir educação, cooperação e cuidado com o meio ambiente, a missão técnica consolida uma nova forma de produzir e gerar prosperidade em Minas Gerais, com sustentabilidade e impacto social”, afirmou.
No caso das cooperativas do Vale do Mucuri, o projeto nasceu a partir da realidade de muitos cooperados que dependem diretamente da conservação do solo e da água para manter suas atividades produtivas.
A proposta envolve educação ambiental, formação técnica e atuação prática no campo. Entre as ações previstas está a criação de um viveiro de mudas na escola, que servirá tanto para o aprendizado dos estudantes quanto para apoiar iniciativas de recuperação ambiental nas propriedades rurais.
Para aprimorar a iniciativa, representantes das cooperativas participaram da missão técnica em Lisboa, onde revisaram estratégias e definiram etapas de implementação. O plano passou a priorizar inicialmente a formação dos jovens e a estruturação do viveiro.
O técnico agrícola do Sicoob Carlos Chagas, Tiago Wan Der Maas Silva, afirma que o processo de aceleração contribuiu para ampliar a visão sobre os resultados do projeto.
“Durante o processo, entendemos que desenvolver as ações de forma escalonada poderia gerar um impacto maior para os jovens e para as comunidades. Também passamos a pensar não apenas em resolver um problema ambiental, mas também no impacto que o projeto pode gerar para os jovens, para os produtores e para a própria cooperativa”, explicou.
Com o início da implementação na escola, as cooperativas relatam que já houve maior aproximação com a comunidade por meio de atividades educativas envolvendo estudantes e produtores rurais.
Outro projeto impulsionado pela formação internacional é o “Rio Acima Mais Forte”, iniciativa que busca fortalecer o turismo na cidade de Rio Acima, localizada a cerca de 39 quilômetros de Belo Horizonte.
A cidade integra a rota da Estrada Real e possui atrativos naturais e históricos, mas ainda não alcançou o mesmo nível de reconhecimento turístico de outros destinos mineiros.
A proposta do projeto é mobilizar comerciantes e poder público para melhorar a experiência dos visitantes e estimular o desenvolvimento econômico local.
A iniciativa reúne Sicoob Centro-Oeste, Sicoob Coopesita, Sicoob Crediminas, Coopmetro e Sicoob Credjus.
Segundo a gerente de Qualidade da Coopmetro, Jéssica Fernanda Alves, a ideia surgiu após conversas com moradores e empresários da cidade.
“Percebemos que muitos estabelecimentos ainda não estão preparados para atender bem o fluxo de visitantes, principalmente nos finais de semana. O projeto nasce justamente com esse propósito: organizar e engajar os comerciantes em torno de um objetivo comum”, afirmou.
A participação na missão técnica ajudou o grupo a desenvolver indicadores e estratégias para medir o impacto social da iniciativa e acompanhar os resultados ao longo do tempo.
De acordo com a gestora, a mobilização inicial já apresenta resultados. A prefeitura demonstrou apoio ao projeto e comerciantes locais passaram a demonstrar interesse em participar das ações.
Além da missão voltada aos projetos sustentáveis, cooperativistas mineiros também participaram, no início de março, da 13ª turma do Coop Management Program, realizada na mesma instituição portuguesa.
A formação integra a trilha de desenvolvimento de lideranças do cooperativismo mineiro e aborda temas como liderança, gestão de equipes, governança corporativa, posicionamento estratégico, tendências da economia internacional, comunicação, negociação e gestão de conflitos.
Durante a imersão, 30 participantes acompanharam estudos de caso e exercícios práticos com foco na aplicação do conhecimento à realidade das cooperativas.
Foto: Freepik

