O crescimento do cooperativismo no Brasil tem ocorrido em paralelo a uma transformação na forma como os consumidores se relacionam com instituições financeiras.
A busca por serviços deixa de ser apenas funcional e passa a incorporar fatores como proximidade, transparência e percepção de retorno, o que amplia o espaço para modelos alternativos de relacionamento econômico.
Dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025 indicam que o país alcançou 25,8 milhões de cooperados, com crescimento médio superior a 1 milhão de novas adesões por ano.
O movimento reflete não apenas a expansão do setor, mas também uma mudança consistente no perfil de consumo financeiro da população.
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Essa transformação também aparece em pesquisas recentes. Levantamento global da Sinch aponta que 79% dos brasileiros esperam comunicações financeiras personalizadas e alinhadas ao seu momento de vida, percentual acima da média mundial. O dado reforça uma demanda crescente por interações menos padronizadas e mais relevantes.
A relação com instituições financeiras passa a incluir elementos de pertencimento e participação. O consumo de produtos deixa de ser o único critério de escolha, enquanto ganham importância fatores como confiança e envolvimento com os resultados gerados pela instituição.
No cooperativismo, essa lógica está presente na própria estrutura do modelo, em que os usuários também participam da distribuição dos resultados. Em 2024, as cooperativas distribuíram R$ 51,4 bilhões em sobras, segundo o Sistema OCB.
O crescimento da base de cooperados acompanha a ampliação da atuação das principais instituições do setor.
O Sicredi reúne mais de 10 milhões de associados e possui presença nacional com mais de 3 mil agências. Já o Sicoob soma cerca de 9,7 milhões de cooperados e mantém mais de 4,7 mil pontos de atendimento.
Em termos econômicos, o setor também apresenta avanço. Em 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões em ingressos, crescimento de 9,5% em relação ao ano anterior.
O ramo de crédito concentra parte relevante desse movimento. Com mais de 20 milhões de cooperados e ativos próximos de R$ 1 trilhão, as cooperativas de crédito ampliam sua participação no sistema financeiro.

Estudo apresentado no 8º Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC), com base em dados do Banco Central entre 2000 e 2022, aponta que cooperativas de crédito operam com níveis de eficiência comparáveis aos bancos públicos e, em alguns casos, superiores aos bancos privados.
O levantamento também indica maior resiliência dessas instituições em períodos de crise. A proximidade com os cooperados reduz a assimetria de informação, favorecendo a avaliação de crédito e contribuindo para condições mais adequadas de acesso a financiamento.
O modelo cooperativista também se destaca pela presença territorial. Atualmente, está presente em 3.586 municípios brasileiros, incluindo regiões com menor cobertura de instituições financeiras tradicionais.
Sistemas regionais, como o Ailos, com mais de 1,7 milhão de cooperados e atuação em mais de 120 municípios do Sul do país, reforçam essa capilaridade e ampliam o acesso a serviços financeiros em mercados locais.
A expansão territorial contribui para fortalecer economias regionais e ampliar o acesso da população a soluções financeiras, acompanhando a evolução das expectativas dos consumidores no país.
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