Entre a rotina da maternidade e o trabalho no campo, mulheres do sertão de Alagoas vêm encontrando no cooperativismo uma alternativa para ampliar renda, conquistar autonomia financeira e fortalecer suas comunidades.
As trajetórias de Cícera Alves, fundadora da Cooperativa dos Produtores de Mel, Insumos e Produtos da Agricultura Familiar (Coopeapis), e de Verônica Gomes, presidente da Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar (Coopcaf), refletem como o modelo cooperativista tem criado oportunidades para famílias da região.
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Antes mesmo de atuar diretamente no cooperativismo, Cícera Alves já exercia um papel importante na comunidade. Professora por vocação, reunia crianças da região para ensinar leitura e escrita de forma voluntária, em um período em que o acesso à educação era ainda mais limitado no sertão.
Mais tarde, encontrou na cooperativa uma forma de garantir sustento para a família e ampliar as oportunidades para os filhos. Segundo ela, o trabalho coletivo transformou sua realidade econômica e permitiu que também realizasse o sonho de concluir a graduação e a pós-graduação em Pedagogia.
“A cooperativa foi uma benção na minha vida porque eu era uma pessoa de baixa renda, fazia carvão para complementar a renda e foi por meio da cooperativa que eu mudei a minha vida e a dos meus filhos”, afirmou.
Hoje, filhos e netos também participam das atividades ligadas à cooperativa, mantendo uma relação construída ao longo de gerações.
Produção gera renda para mulheres da comunidade
Além da produção de mel e derivados, a Coopeapis reúne um grupo de mulheres que atua na fabricação de bolos, biscoitos e outros alimentos destinados à merenda escolar e à comercialização local.
A atividade se tornou uma importante fonte de renda para mães da comunidade. Entre elas está Francilene Alves Lisboa da Silva, que trabalha há nove anos na cooperativa.
“É daqui que consigo fazer o que eu gosto, trabalhar com pessoas que parecem ser uma família, e ainda ganhar dinheiro, fruto do meu trabalho”, relatou.
Atualmente, a Coopeapis reúne cerca de 130 cooperados e comercializou aproximadamente sete toneladas de mel no último ano.
Liderança feminina impulsiona produção no campo
Na Coopcaf, a presidente Verônica Gomes também concilia maternidade e gestão cooperativista. Mãe de um menino de 8 anos, ela atua na produção rural e defende o fortalecimento das pequenas propriedades como alternativa de desenvolvimento econômico para o interior.
Formada em Gestão Pública e técnica em agropecuária, Verônica afirma que decidiu retornar ao campo após os estudos por acreditar no potencial produtivo da região.
“O trabalho na cooperativa me permite estar mais próximo do meu filho. Para mim, não existe coisa melhor do que fazer o meu filho reconhecer e ter orgulho das origens dele”, destacou.
A cooperativa reúne cerca de 160 cooperados e atua principalmente na produção de ovos. Segundo a dirigente, aproximadamente 80% das cooperadas são mães que encontraram no cooperativismo uma forma de ampliar renda sem se afastar da rotina familiar.
Força coletiva amplia oportunidades no sertão
As experiências de Cícera e Verônica refletem um movimento mais amplo dentro do cooperativismo rural feminino, especialmente em regiões onde o acesso a emprego e renda historicamente enfrenta maiores limitações.

Ao combinar trabalho coletivo, geração de renda e permanência no campo, as cooperativas vêm criando alternativas econômicas ligadas ao fortalecimento das comunidades locais e à valorização da agricultura familiar.
No sertão alagoano, o cooperativismo também passou a representar uma ferramenta de inclusão produtiva e permanência das famílias no meio rural, especialmente para mulheres que dividem o tempo entre o trabalho, a gestão da casa e os cuidados com os filhos.
Foto: Magnific

