Belém sediou, em novembro de 2025, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), e o cooperativismo paraense teve participação estruturada ao longo de todo o processo.
Antes mesmo da abertura oficial do evento, o Sistema OCB/PA e cooperativas do estado iniciaram uma mobilização voltada à apresentação do modelo cooperativista como alternativa para conciliar preservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico na Amazônia.
Durante as duas semanas da conferência, entre 10 e 21 de novembro, representantes do cooperativismo participaram de espaços oficiais e paralelos da COP30, com programação que incluiu debates temáticos, apresentação de cases, exposições e ações de articulação institucional.
A atuação do cooperativismo paraense ocorreu em um contexto de reconhecimento internacional do setor.
Em 2025, a Organização das Nações Unidas declarou o Ano Internacional das Cooperativas, destacando o modelo como instrumento relevante para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Leia mais:
- Meta e YouTube são responsabilizados por danos ligados ao uso de redes sociais
- Instabilidade no Pix gera pico de reclamações no início da tarde
- Produção agropecuária do Brasil deve movimentar R$ 1,39 trilhão em 2026, aponta CNA
- Chip da Amazon avança e entra na disputa com a Nvidia por infraestrutura de IA
- Entrega do Imposto de Renda 2026 começa nesta segunda (23) com prazo até maio
No Pará, as cooperativas atuam em áreas como agropecuária, crédito, transporte, saúde, reciclagem, turismo, artesanato, construção civil, energia e bioeconomia. Segundo dados do Sistema OCB/PA, o cooperativismo impacta diretamente mais de 1,4 milhão de pessoas e representa cerca de 11% da economia estadual.
A presença cooperativista na COP30 incluiu participação em painéis, debates e exposições em espaços como a Green Zone, En Zone, Agri Zone, Parque da Bioeconomia, Casa Brasil, museus e auditórios temáticos.
Os temas abordados envolveram bioeconomia, financiamento climático, agricultura de baixo carbono, justiça climática, manejo florestal sustentável, inclusão produtiva, reciclagem, inovação, sociobioeconomia e segurança alimentar.
Também houve comercialização de produtos cooperativistas em locais como o Museu do Artesanato Paraense, a Green Zone, Parque da Cidade, a En Zone – Porto Futuro e o Empório Cooperativista, instalado na sede do Sistema OCB/PA. Ao todo, mais de 20 cooperativas participaram direta ou indiretamente das ações durante o evento.
Sete cooperativas do Pará foram selecionadas por edital nacional do Sistema OCB para apresentar cases com presença física na COP30, evidenciando experiências em sustentabilidade, inclusão produtiva e desenvolvimento territorial. Entre elas:
- COOPATRANS (Medicilândia): apresentação do case Cacauway, voltado à produção de chocolate amazônico com impacto social, ambiental e econômico;
- CAMTA (Tomé-Açu): atuação em sistemas agroflorestais e produção sustentável;
- SICOOB COOESA (Portel/Marajó): projeto Cooperativa Mirim Marajoara, com foco em educação financeira e sustentabilidade;
- COOMFLONA (Belterra): manejo florestal sustentável na Floresta Nacional do Tapajós;
- COOPERNORTE (Paragominas): iniciativas de inovação e resiliência climática em parceria com a Embrapa;
- TURIARTE (Santarém): geração de renda por meio do artesanato e do turismo comunitário sustentável;
- FECOGAP (Itaituba): ações de inclusão social e desenvolvimento sustentável no setor mineral.
Além desses cases, a COOPERNORTE também apresentou iniciativas voltadas à produtividade sustentável, pesquisa aplicada, agregação de valor e segurança alimentar.
Segundo o Sistema OCB/PA, a participação na COP30 foi acompanhada da estruturação de um plano de ação voltado ao período pós-evento. A agenda inclui diagnósticos, capacitação, comunicação e articulação de parcerias para fortalecer as cooperativas do estado.
Os eixos priorizados envolvem bioeconomia, crédito, energias renováveis, conservação ambiental, mobilidade, inovação e economia de baixo carbono, com foco na valorização da sociobiodiversidade e no fortalecimento das comunidades locais.
A expectativa é que as conexões estabelecidas durante a COP30 ampliem o acesso das cooperativas a financiamentos verdes, parcerias internacionais e novos mercados.
Para o presidente do Sistema OCB/PA, Ernandes Raiol, a conferência marcou um novo momento para o cooperativismo no estado.
“A COP30 representa um marco histórico para o Pará e para a Amazônia, e o cooperativismo paraense assume esse momento com responsabilidade, preparo e protagonismo. O legado que estamos construindo vai além do evento: ele fortalece a sociobioeconomia, valoriza as comunidades e posiciona o Pará como referência global em soluções climáticas baseadas na cooperação.”
Já o superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, avaliou que a participação das cooperativas evidencia a maturidade do setor.
Segundo ele, a presença na COP30 demonstra a capacidade técnica do cooperativismo de entregar soluções concretas para os desafios da transição climática, além de ampliar oportunidades de inovação, financiamento e parcerias estratégicas.
Foto: AgênciaBrasil

