O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, realizado no domingo, 4 de outubro, definiu governadores em 20 estados, os 54 novos senadores e a composição da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura.
A disputa pela Presidência da República, porém, segue para o segundo turno. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram os dois candidatos mais votados e voltam às urnas no dia 25 de outubro.
Além da disputa presidencial, seis estados e o Distrito Federal ainda precisarão definir seus governadores no segundo turno.
Como terminou a eleição para presidente no primeiro turno?
Nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, condição necessária para vencer a eleição presidencial no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro terminou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, equivalente a pouco mais de 56,1 milhões de votos. Lula ficou em segundo, com 45,16%, aproximadamente 53,9 milhões de votos.
A diferença entre os dois foi de cerca de 2,2 milhões de votos. Na sequência apareceram Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado. Os demais candidatos ficaram abaixo de 1% dos votos válidos. Com o resultado, Flávio Bolsonaro e Lula disputarão o segundo turno em 25 de outubro de 2026.
Quais governadores foram eleitos no primeiro turno?
Em 20 estados, a eleição para governador terminou já no primeiro turno. Para isso, os candidatos precisaram obter mais da metade dos votos válidos. Os eleitos foram:
- Alagoas: JHC (PSDB)
- Amapá: Dr. Furlan (PSD)
- Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
- Ceará: Elmano de Freitas (PT)
- Goiás: Daniel Vilela (MDB)
- Maranhão: Eduardo Braide (PSD)
- Mato Grosso: Otaviano Pivetta (Republicanos)
- Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP)
- Minas Gerais: Cleitinho Azevedo (Republicanos)
- Pará: Dr. Daniel (Podemos)
- Paraíba: Lucas Ribeiro (PP)
- Paraná: Sergio Moro (PL)
- Pernambuco: Raquel Lyra (PSD)
- Piauí: Rafael Fonteles (PT)
- Rio Grande do Sul: Luciano Zucco (PL)
- Rondônia: Marcos Rogério (PL)
- Roraima: Arthur Henrique (PL)
- Santa Catarina: Jorginho Mello (PL)
- São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos)
- Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD)
Entre os resultados de maior repercussão, Tarcísio de Freitas foi reeleito em São Paulo com 62,65% dos votos válidos, enquanto Cleitinho Azevedo venceu em Minas Gerais com 55,41%. No Paraná, Sergio Moro venceu no primeiro turno com pouco mais de 50% dos votos válidos.
No Piauí, Rafael Fonteles foi reeleito com cerca de 70,9%, o maior percentual entre os governadores eleitos no primeiro turno.
Onde haverá segundo turno para governador?
Em seis estados e no Distrito Federal, nenhum candidato alcançou a maioria necessária. Essas disputas também serão decididas no dia 25 de outubro:
- Acre: Mailza Assis (PP) x Alan Rick (Republicanos)
- Amazonas: Omar Aziz (PSD) x Professora Maria do Carmo (PL)
- Distrito Federal: Celina Leão (PP) x Leandro Grass (PT)
- Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos) x Ricardo Ferraço (MDB)
- Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL) x Eduardo Paes (PSD)
- Rio Grande do Norte: Allyson (União) x Cadu de Lula (PT)
- Tocantins: Professora Dorinha (União) x Vicentinho Júnior (PSDB)
No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini ficou próximo de encerrar a eleição no primeiro turno, com 49,65% dos votos válidos, enquanto Ricardo Ferraço obteve 34,06%.
Quem foi eleito para o Senado em 2026?
A eleição de 2026 renovou 54 das 81 cadeiras do Senado, equivalente a dois terços da Casa. Cada estado e o Distrito Federal elegeram dois senadores, escolhidos pelo sistema majoritário: os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação conquistaram as vagas.
O resultado ampliou significativamente a bancada do PL. Segundo o Senado Federal, o partido elegeu 19 senadores em 2026 e deverá iniciar a próxima legislatura com 28 das 81 cadeiras, tornando-se a maior bancada da Casa. O PT deverá ter nove senadores, enquanto o MDB ficará com oito. Entre alguns dos nomes eleitos estão:
- Michelle Bolsonaro (PL-DF)
- Bia Kicis (PL-DF)
- Arthur Lira (PP-AL)
- Eduardo Braga (MDB-AM)
- Plínio Valério (PSDB-AM)
- Renato Casagrande (PSB-ES)
- Mauro Mendes (União-MT)
- Marcel Van Hattem (Novo-RS)
- Carlos Portinho (PL-RJ)
- Carlos Jordy (PL-RJ)
- Rui Costa e Jaques Wagner, pela Bahia
- Cid Gomes e Luizianne Lins, pelo Ceará.
Ao todo, 12 mulheres foram eleitas para as 54 vagas em disputa. Também houve renovação significativa: 40 dos senadores que tomarão posse em 2027 não ocupavam atualmente uma das cadeiras que estavam em disputa, enquanto 14 conseguiram a reeleição.
Como ficou a Câmara dos Deputados?
Todas as 513 vagas da Câmara dos Deputados estavam em disputa no primeiro turno. O PL conquistou a maior bancada da próxima legislatura, com 121 deputados federais eleitos. Na sequência aparece a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, com 82 deputados.
O resultado representa crescimento para o PL em relação à eleição anterior. A bancada eleita pelo partido ganhou 24 cadeiras na comparação apresentada pela Câmara dos Deputados. A eleição também trouxe renovação significativa à Casa.
Dos 513 deputados eleitos, 183 exercerão o primeiro mandato como deputado federal, equivalente a cerca de 35,7% da Câmara.
Ao mesmo tempo, 301 deputados conseguiram se reeleger, número correspondente a 58,6% dos parlamentares considerados no levantamento da Câmara.
A definição dos deputados utiliza o sistema proporcional. Isso significa que o número de votos recebidos pelo candidato é considerado juntamente com o desempenho do partido ou da federação.
Como ficou a participação dos eleitores?
O Brasil tinha cerca de 158,7 milhões de pessoas aptas a votar nas eleições de 2026. Pouco mais de 125 milhões compareceram às urnas no primeiro turno.
A abstenção ficou em 21,08%, equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores. Foi um índice ligeiramente superior ao registrado no primeiro turno presidencial de 2022, quando a ausência ficou em torno de 20,9%.
Na disputa presidencial, aproximadamente 2,3 milhões de votos foram registrados em branco e 3,67 milhões foram anulados. Quem não compareceu no primeiro turno ainda poderá votar normalmente no segundo, desde que esteja com o título eleitoral regular.
O que o primeiro turno definiu?
O resultado de 4 de outubro já definiu grande parte dos cargos que estavam em disputa.
Foram escolhidos:
54 senadores, além dos 27 que continuam no meio de seus mandatos; 513 deputados federais; deputados estaduais e distritais; e 20 dos 27 governadores.
O Senado terá uma bancada maior do PL a partir de 2027, enquanto o mesmo partido também terá a maior representação individual na Câmara dos Deputados.
Nos governos estaduais, o cenário ficou mais distribuído. Entre os 20 vencedores no primeiro turno, o PL elegeu cinco governadores, PSD quatro, enquanto PT e Republicanos elegeram três cada.
Esses números descrevem a composição escolhida nas urnas e não indicam, por si só, como partidos e parlamentares se organizarão em blocos de governo ou oposição a partir de 2027.
O que ainda falta decidir nas eleições de 2026?
O processo eleitoral ainda não terminou. No dia 25 de outubro, os eleitores voltarão às urnas para definir a Presidência da República entre Flávio Bolsonaro e Lula. Também haverá votação para governador no Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Senadores e deputados não participam do segundo turno, porque esses cargos já foram definidos na votação de 4 de outubro.
Cenário político após o primeiro turno
O primeiro turno deixou três mudanças relevantes para a próxima legislatura. O PL ampliou sua representação no Congresso, terminando a eleição com a maior bancada individual tanto no Senado quanto na Câmara. Nos estados, 20 governos foram definidos de imediato, enquanto sete unidades da Federação ainda terão segundo turno.
Na Presidência, a diferença inferior a dois pontos percentuais entre Flávio Bolsonaro e Lula levou a decisão para uma nova votação, marcada para 25 de outubro.
Até lá, alianças partidárias, apoios dos candidatos eliminados e estratégias para mobilizar os mais de 33 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno deverão fazer parte da campanha. O resultado, porém, será definido novamente pelo voto dos eleitores, sem que o desempenho da primeira etapa determine automaticamente o resultado da segunda.

