As exportações do agronegócio brasileiro para os 22 países da Liga Árabe alcançaram US$ 7,03 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi registrado mesmo diante dos impactos provocados pelo conflito no Oriente Médio, que tem afetado importantes rotas de comércio internacional.
Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o agronegócio respondeu por cerca de 75% de todas as exportações brasileiras destinadas aos países árabes no período.
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Brasil mantém fornecimento de alimentos à região
De acordo com a Câmara Árabe, o desempenho demonstra que o Brasil conseguiu preservar sua posição como um dos principais fornecedores de alimentos para os mercados árabes, mesmo diante das dificuldades logísticas provocadas pela guerra.
Segundo o secretário-geral da entidade, Mohamad Mourad, a expectativa é de que o ritmo das exportações continue positivo ao longo do ano.
“O Brasil segue liderando o fornecimento de alimentos para os países árabes, inclusive para os do Golfo. Se continuarmos assim, podemos ter, inclusive, avanço nas receitas sobre o ano passado”, afirmou.
Logística foi adaptada para manter embarques
O conflito no Oriente Médio tem dificultado a navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional.
Para reduzir os impactos, exportadores brasileiros reorganizaram a logística utilizando portos no Mar Vermelho, além de complementar parte do transporte por vias rodoviárias e aéreas.
Segundo a Câmara Árabe, os custos adicionais dessa operação vêm sendo compartilhados entre exportadores, importadores e consumidores finais.
Nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, as exportações do agronegócio somaram US$ 2,58 bilhões, resultado 1,06% inferior ao registrado no primeiro semestre de 2025.

Milho, carne bovina e soja sustentam crescimento
Entre os principais produtos exportados, o açúcar permaneceu na liderança da pauta, apesar de registrar queda de 7,45%, com vendas de US$ 1,79 bilhão.
A carne de frango também apresentou retração de 9,99%, totalizando US$ 1,57 bilhão.
Por outro lado, outras commodities ampliaram sua participação e contribuíram para o crescimento das exportações:
| Produto | Valor exportado | Variação |
|---|---|---|
| Açúcar | US$ 1,79 bilhão | -7,45% |
| Carne de frango | US$ 1,57 bilhão | -9,99% |
| Milho | US$ 794,9 milhões | +49,51% |
| Carne bovina | US$ 792,27 milhões | +7,33% |
| Soja | US$ 758,49 milhões | +14,19% |
Segundo a Câmara Árabe, a diversificação da pauta exportadora ajudou a compensar a redução nas vendas de açúcar e carne de frango.
Expectativa é de maior demanda no segundo semestre
A entidade acredita que as exportações brasileiras poderão acelerar nos próximos meses com o início da formação de estoques para o Ramadã de 2027, período em que tradicionalmente aumenta a demanda por alimentos nos países islâmicos.
Entre os principais mercados da região, os Emirados Árabes Unidos ampliaram as compras em 6,01%, alcançando US$ 1,72 bilhão. Já as exportações para a Arábia Saudita cresceram 11%, somando US$ 1,51 bilhão.
Também houve avanço nas vendas para o Egito, com alta de 31,73%, e para a Argélia, que aumentou as importações de produtos brasileiros em 12,49%.
Na avaliação da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, os resultados reforçam a capacidade do agronegócio nacional de manter mercados estratégicos mesmo diante de desafios logísticos e de um cenário internacional mais complexo.
Foto: ChatGPT

