O agronegócio brasileiro segue competitivo e eficiente dentro das propriedades, mas enfrenta um conjunto de obstáculos fora delas que pode limitar investimentos e crescimento.
A avaliação é do CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, feita durante a Agrishow. Segundo o executivo, o setor não vive uma crise estrutural, mas atravessa um momento de pressão que exige ajustes, principalmente no ambiente macroeconômico e regulatório.
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Werneck destaca que o produtor brasileiro mantém alto nível de produtividade, com ganhos sustentados por tecnologia e mecanização. O problema começa após a produção:
- Infraestrutura logística insuficiente
- Custos elevados no escoamento
- Falta de previsibilidade regulatória
“O agricultor é extremamente eficiente, mas enfrenta problemas que não estão sob seu controle”, afirmou.
O principal ponto de atenção está no aumento da incerteza. A combinação de:
- Juros elevados
- Endividamento crescente
- Restrição de crédito
tem reduzido a previsibilidade no campo.
Na prática, isso afeta diretamente o comportamento do produtor: Com menos clareza sobre o futuro, o investimento tende a ser adiado.
O executivo defende o fortalecimento de instrumentos como seguro rural e mecanismos financeiros que ajudem a suavizar riscos climáticos e de mercado.
A desaceleração no agro já começa a atingir outros setores. Um exemplo é o mercado de máquinas e caminhões, que segue enfraquecido.
Esse movimento impacta diretamente a Gerdau:
- Planta de aços especiais em Pindamonhangaba com baixa utilização
- Redução na demanda por aço voltado ao setor agroindustrial
Mesmo com capacidade instalada pronta para expansão, a produção depende da retomada da demanda. O ambiente da Agrishow ainda reflete um certo otimismo, funcionando como termômetro do setor. No entanto, esse sentimento não elimina os desafios estruturais.

O cenário atual é de confiança moderada: há potencial, mas condicionado ao ambiente econômico.
Para a Gerdau, o agro brasileiro continua com forte potencial de expansão, desde que alguns pontos sejam enfrentados:
- Infraestrutura logística
- Previsibilidade regulatória
- Acesso a crédito
- Ferramentas de gestão de risco
A leitura é direta: o crescimento do setor não depende apenas da eficiência produtiva, mas da capacidade de reduzir incertezas. O posicionamento da empresa reforça um ponto central:
O desempenho do agro impacta diretamente toda a cadeia industrial. Se o campo avança, setores como máquinas, transporte e siderurgia acompanham.
Se trava, o efeito se espalha.
O desafio agora é criar condições para que o potencial produtivo se converta em investimento contínuo, dentro e fora da porteira.
Foto: Magnific

