Executivos de grandes empresas afirmaram que o ambiente econômico brasileiro ainda impõe obstáculos relevantes ao investimento produtivo.
Durante o evento Rumos 2026, realizado pelo Valor Econômico em São Paulo, líderes do setor empresarial destacaram que a queda dos juros, reformas estruturais e maior competitividade são fatores essenciais para impulsionar os negócios no país.
Entre os desafios apontados estão o custo elevado do capital, dificuldades de acesso ao crédito e problemas estruturais no mercado de trabalho.
O CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, afirmou que o financiamento para o varejo ainda enfrenta limitações que impactam diretamente decisões de investimento e expansão das empresas.
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“Mas avanços microeconômicos podem melhorar o acesso a crédito e reduzir riscos no varejo”, afirmou. “É necessária uma agenda de reformas estruturais para destravar o ambiente de negócios.”
O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pode marcar o primeiro corte na taxa básica de juros após um período prolongado em níveis elevados.
Segundo ele, reduzir o custo de capital é fundamental para estimular investimentos e ampliar a atividade econômica.
“Precisamos discutir alavancas para uma queda estrutural da taxa de juros”, disse.
Maluhy também destacou a importância de instituições sólidas para reduzir o prêmio de risco e ampliar a previsibilidade do ambiente econômico.
“O tema fiscal é o tema da hora. O próprio secretário (do Tesouro, Rogério) Ceron reconheceu que tem espaço para avançar. O arcabouço fiscal é lento (em melhora na dívida pública). O Brasil precisa fazer uma reforma orçamentária urgente, qualquer que seja o novo presidente.”
Outro tema levantado durante o evento foi a dinâmica do mercado de trabalho. O CEO do Assaí Atacadista, Belmiro Gomes, afirmou que o modelo atual da CLT pode gerar distorções na relação entre custo para as empresas e remuneração efetiva para os trabalhadores.
Para ele, o avanço do trabalho em plataformas digitais tem aumentado a competição por mão de obra.
“(O regime CLT) é muito para quem paga e pouco para quem recebe. Temos um paradoxo. De um lado, temos a pressão para reduzir a carga horária. Mas parte do crescimento do trabalho nos últimos anos foi de pessoas que estão trabalhando 12 horas por dia em plataformas e que preferem trabalhar mais para ganhar mais.”
Segundo Gomes, a discussão deveria buscar formas de ampliar a remuneração dos trabalhadores sem comprometer a competitividade das empresas.
“Na medida em que se compete com as plataformas digitais, foi criado um problema de (falta de) mão de obra.”
O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, destacou que a falta de mão de obra qualificada tem dificultado a expansão de setores estratégicos, como energia e construção civil.
Segundo ele, mesmo em cenários de demanda favorável, empresas enfrentam dificuldades para viabilizar projetos.
“Muitas vezes não conseguimos aprovar investimentos que recuperem o capital”, afirmou.
Werneck acrescentou que transformação digital e inteligência artificial passaram a ser fatores centrais para ampliar a competitividade das empresas.
O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que, além da Reforma Tributária, o país precisa manter estabilidade macroeconômica e reduzir barreiras ao comércio internacional.
Ele destacou que o cenário global segue marcado por instabilidades frequentes.
“Na Embraer, tratamos com objetividade e foco (o tema), com plano robusto para definir as medidas para mitigar as crises.”
Já a presidente da Dow no Brasil, Mariana Orsini, afirmou que o país precisa avançar em políticas industriais mais claras e previsíveis.
Ela citou como referência o Inflation Reduction Act, aprovado nos Estados Unidos durante o governo de Joe Biden, que criou incentivos para investimentos industriais.
Segundo Orsini, a previsibilidade regulatória e incentivos fiscais foram fatores determinantes para a decisão da Dow de investir em uma unidade de polietileno no Canadá.
“Benefícios fiscais são essenciais para avanços nos setores que o Brasil decidiu escolher”, concluiu.
O evento contou com patrocínio de BTG Pactual, Febraban, FenaSaúde, Gerdau e Philip Morris Brasil, além de apoio de Assaí e Embraer.
Foto: Freepik

