A Meta decidiu adiar o lançamento de seu próximo modelo de inteligência artificial, conhecido internamente como “Avocado”, após testes indicarem desempenho inferior ao de sistemas rivais desenvolvidos por empresas como Google, OpenAI e Anthropic.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo The New York Times, o modelo foi avaliado em tarefas como raciocínio, programação e geração de texto, mas não conseguiu alcançar o desempenho das ferramentas mais avançadas disponíveis atualmente.
Nos testes internos, o Avocado superou modelos anteriores da própria Meta e também apresentou resultados melhores que o Gemini 2.5, do Google. No entanto, ficou atrás do Gemini 3.0, considerado um dos sistemas mais avançados do mercado.
Diante desse cenário, a empresa decidiu adiar o lançamento, inicialmente previsto para este mês. A expectativa interna agora é que o modelo seja apresentado a partir de maio.
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Executivos da divisão de inteligência artificial chegaram a discutir a possibilidade de licenciar temporariamente o modelo Gemini, do Google, para alimentar alguns produtos da empresa, embora nenhuma decisão tenha sido tomada até o momento.
Os chamados modelos fundamentais de inteligência artificial tornaram-se o núcleo da disputa tecnológica entre grandes empresas do setor. Esses sistemas servem como base para chatbots, assistentes virtuais, ferramentas de programação e geradores de vídeo.
Além de impulsionar novos produtos, a liderança nesse campo também ajuda a atrair pesquisadores, engenheiros e investimentos, fatores considerados estratégicos na corrida global pela inteligência artificial.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, tem colocado a tecnologia no centro da estratégia futura da empresa. Nos últimos anos, a companhia investiu bilhões de dólares para expandir sua capacidade em IA, incluindo a construção de novos data centers, a aquisição da startup Scale AI e a contratação de especialistas do setor.
Entre eles está Alexandr Wang, fundador da Scale AI, que ajudou a estruturar um novo laboratório interno chamado TBD Lab. A unidade reúne cerca de 100 pesquisadores dedicados ao desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial.

A equipe já concluiu a fase inicial de treinamento do Avocado, conhecida como pré-treinamento e iniciou o processo de pós-treinamento, etapa voltada ao refinamento do desempenho do modelo.
Além desse projeto, o laboratório também desenvolve outro sistema chamado “Mango”, voltado à geração de imagens e vídeos por inteligência artificial.
Até agora, a divisão lançou apenas um produto: o Vibes, aplicativo de criação de vídeos com IA semelhante ao Sora, da OpenAI. Mesmo com o adiamento do Avocado, a Meta mantém sua aposta no TBD Lab.
Durante uma teleconferência com investidores realizada em janeiro, Zuckerberg afirmou que os primeiros modelos dessa nova fase podem não apresentar avanços revolucionários imediatos, mas devem indicar uma evolução rápida da tecnologia ao longo do tempo.
Outro tema em discussão dentro da empresa é o modelo de distribuição das novas tecnologias. Historicamente, a Meta defendeu uma abordagem de código aberto, permitindo que desenvolvedores utilizem partes de seus sistemas para criar novos projetos.
Já empresas como OpenAI e Anthropic adotam modelos mais fechados, mantendo o funcionamento interno de suas tecnologias restrito.
Nos últimos meses, executivos da Meta passaram a considerar a possibilidade de manter os novos sistemas fechados nesta fase inicial.
O desenvolvimento do Avocado também gerou debates internos sobre a forma como os modelos de IA devem contribuir para o principal negócio da empresa, especialmente na área de publicidade digital.
Segundo o Wall Street Journal, Alexandr Wang teria divergido de outros executivos sobre a estratégia de integração da tecnologia aos produtos da companhia. Rumores sobre um possível desentendimento entre Wang e Zuckerberg chegaram a circular internamente, mas foram negados pela empresa.
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