Um agente de inteligência artificial capaz de executar comandos reais no computador do usuário, e não apenas responder mensagens, ganhou destaque nas redes e entre especialistas em tecnologia.
Trata-se do Moltbot, anteriormente conhecido como Clawdbot, criado pelo desenvolvedor Peter Steinberger como um projeto pessoal e que acabou viralizando ao automatizar tarefas cotidianas em aplicativos comuns.
O Moltbot atua como um assistente pessoal que roda diretamente no computador do usuário, permitindo a execução de ações como organizar agendas, enviar e-mails, preencher formulários e realizar check-ins em voos.
A popularidade foi tamanha que chegou a influenciar o mercado financeiro, com impacto positivo nas ações da Cloudflare, empresa de infraestrutura de internet citada em discussões técnicas ligadas ao projeto.
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Inicialmente desenvolvido para uso próprio, o agente ganhou tração quando usuários passaram a compartilhar casos de uso avançados. Entre eles, a geração automática de áudios diários com resumos de dados extraídos de aplicativos de saúde e produtividade, além da integração com calendários e sistemas de e-mail.
O software permite que o usuário escolha diferentes modelos de IA como base de raciocínio, incluindo soluções da OpenAI e do Google, o que amplia sua flexibilidade e capacidade de adaptação a diferentes rotinas digitais.
O crescimento acelerado, no entanto, trouxe desafios. O projeto precisou mudar de nome após questionamento jurídico da Anthropic, desenvolvedora do modelo Claude, em razão da semelhança com a marca original “Clawdbot”.
Com a popularização do Moltbot, especialistas passaram a alertar para riscos associados ao alto nível de acesso concedido ao agente. Por operar diretamente no sistema do usuário e ter permissão para ler arquivos e executar comandos, a ferramenta pode abrir brechas para ataques cibernéticos.
Em entrevista ao The Verge, a CEO da SocialProof Security, Rachel Tobac, afirmou que um agente desse tipo pode ser induzido a executar ações maliciosas por meio de mensagens aparentemente inofensivas, técnica conhecida como injeção de prompt.
Nesse cenário, um criminoso poderia explorar o comportamento da IA para assumir o controle do computador da vítima.
Segundo especialistas, esse tipo de vulnerabilidade ainda representa um desafio estrutural no desenvolvimento de agentes autônomos de IA, afetando inclusive grandes plataformas já consolidadas.
A recomendação atual é que o Moltbot seja utilizado apenas por usuários com conhecimento técnico avançado e nunca em computadores que armazenem dados sensíveis, como senhas, informações bancárias ou documentos pessoais.
A orientação mais segura é executá-lo em ambientes isolados, como servidores dedicados ou máquinas secundárias.
Desenvolvedores do próprio projeto reforçam que erros de configuração podem expor chaves de acesso, mensagens privadas e outros dados na internet, motivo pelo qual a leitura detalhada dos guias de segurança é considerada essencial antes da instalação.
O físico e especialista em inteligência artificial Roberto “Pena” Spinelli comentou o caso no Olhar Digital News desta terça-feira (27), destacando tanto o potencial transformador do Moltbot quanto os cuidados necessários no uso de agentes com autonomia operacional.

