A OpenAI decidiu adiar o lançamento do chamado “modo adulto” do ChatGPT, funcionalidade que permitiria conversas com conteúdo erótico entre usuários maiores de idade.
O recurso, inicialmente previsto para o primeiro trimestre de 2026, foi postergado para que a empresa priorize outros produtos e resolva desafios técnicos relacionados à segurança da ferramenta.
A proposta tem sido defendida pelo CEO da companhia, Sam Altman, sob o argumento de que usuários adultos devem ter autonomia para acessar determinados tipos de conteúdo.
No entanto, a iniciativa provocou divergências internas e levantou preocupações entre especialistas ligados à própria empresa.

O debate opõe dois pontos centrais: de um lado, a liberdade de uso da tecnologia; de outro, a necessidade de estabelecer salvaguardas para evitar danos psicológicos ou acesso indevido de menores, segundo informações do Wall Street Journal.
Durante reuniões realizadas em janeiro, o conselho consultivo da OpenAI, formado por especialistas em psicologia e neurociência, manifestou oposição unânime à liberação de conteúdo erótico na plataforma.
A principal preocupação é o potencial da inteligência artificial para estimular dependência emocional entre usuários.
Pesquisadores alertam que interações com chatbots podem favorecer vínculos intensos ou obsessivos, sobretudo quando a tecnologia simula proximidade afetiva.
Casos anteriores envolvendo chatbots já despertaram atenção pública, incluindo situações em que usuários desenvolveram relações emocionais profundas com sistemas de IA.
Para reduzir esses riscos, a OpenAI planeja limitar o recurso apenas à geração de textos eróticos, conhecidos como smut ou literatura erótica. A empresa pretende manter proibição total à criação de imagens, vozes ou vídeos com conteúdo sexual.
Além disso, os modelos de IA estão sendo treinados para desencorajar relacionamentos exclusivos entre usuários e a tecnologia, buscando evitar vínculos emocionalmente dependentes.
A discussão também reflete uma mudança na posição da OpenAI sobre o tema. Em 2021, a empresa proibiu conteúdos eróticos após a ferramenta AI Dungeon, que utilizava sua tecnologia, gerar cenários envolvendo exploração sexual e incesto.
Na época, a preocupação era evitar que a OpenAI fosse associada a conteúdos adultos, o que poderia prejudicar o desenvolvimento de aplicações mais amplas da tecnologia.
Atualmente, o cenário competitivo mudou. Altman já indicou que permitir certos tipos de conteúdo explícito poderia abrir novas fontes de receita, especialmente em um mercado cada vez mais disputado.
A OpenAI enfrenta concorrência crescente de empresas como xAI, de Elon Musk, e Meta, que já permitem alguns tipos de interações românticas ou conteúdos classificados para adultos em seus sistemas.
Ao mesmo tempo, o setor de inteligência artificial enfrenta maior vigilância jurídica, especialmente após incidentes envolvendo usuários jovens.
Um dos casos mais citados é um processo movido na Flórida, no qual uma mãe responsabiliza a plataforma Character.AI após seu filho de 14 anos desenvolver uma relação emocional com um chatbot antes de tirar a própria vida.
Especialistas em saúde mental afirmam que adolescentes não possuem maturidade psicológica para lidar com interações sexuais ou afetivas intensas com sistemas de inteligência artificial.
Em sua defesa, a OpenAI afirma que não pretende atuar como uma “polícia moral” da internet, comparando eventuais restrições a mecanismos semelhantes às classificações indicativas de filmes.
A empresa também informou que o sistema de verificação de idade será implementado gradualmente, para garantir maior precisão técnica. Com isso, a expectativa interna é que o lançamento do recurso seja adiado por pelo menos um mês em relação ao cronograma inicial.
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