Ainda nas primeiras horas do dia, agricultores familiares de diversas regiões do Pará iniciam a colheita de hortaliças, frutas, raízes e legumes que abastecerão não apenas feiras e mercados, mas também escolas públicas. Por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), cooperativas vêm desempenhando papel estratégico na conexão entre o campo e a alimentação de milhares de estudantes, fortalecendo a economia local e promovendo segurança alimentar.
O programa determina que pelo menos 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam utilizados na compra de produtos da agricultura familiar. A política pública criou oportunidades para produtores rurais ampliarem sua participação no mercado institucional, ao mesmo tempo em que garante refeições mais diversificadas e nutritivas para os alunos da rede pública.
Cooperativas ampliam acesso aos mercados institucionais
Para atender às exigências do programa, cooperativas assumem funções importantes na organização da produção, planejamento das entregas, adequação sanitária e participação em chamadas públicas.
Segundo o superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, o cooperativismo tem sido fundamental para ampliar a presença dos agricultores familiares nesses mercados.
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“Quando os produtores atuam de forma organizada, conseguem acessar oportunidades que seriam muito mais difíceis individualmente. O cooperativismo fortalece a agricultura familiar, gera renda para as comunidades e contribui para que os estudantes recebam uma alimentação mais saudável e nutritiva”, afirma.
Além dos benefícios econômicos, o fornecimento para a alimentação escolar também valoriza a cultura alimentar regional. Produtos típicos da Amazônia, como açaí, farinha de mandioca, peixes, frutas nativas, polpas, legumes e hortaliças cultivados nas próprias comunidades, passam a integrar os cardápios das escolas, fortalecendo a identidade cultural e os hábitos alimentares locais.
Segurança para produzir e investir
Para os agricultores, a participação no programa representa maior previsibilidade de renda e melhores condições para investir na produção. É o caso de Danilson Gonçalves, agricultor familiar e cooperado da CART Cametá.
“Antes dependíamos muito das vendas em feiras e atravessadores. Com a cooperativa e o fornecimento para a merenda escolar, conseguimos planejar melhor a produção e ter mais segurança para investir na propriedade”, relata.
Programas fortalecem gestão e comercialização
Com o objetivo de ampliar a competitividade das cooperativas paraenses, o Sistema OCB/PA desenvolve iniciativas voltadas à qualificação da gestão e à expansão de mercados.
Entre elas está o NegóciosCoop, programa que conecta cooperativas a oportunidades comerciais, promove rodadas de negócios e aproxima empreendimentos de potenciais compradores públicos e privados.
Outra iniciativa é o BioCoop, que incentiva a valorização da bioeconomia amazônica e da produção sustentável, fortalecendo cadeias produtivas da agricultura familiar e agregando valor aos produtos comercializados pelas cooperativas.
Segundo o gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB/PA, Diego Andrade, essas ações ajudam os empreendimentos a atender às demandas cada vez mais exigentes do mercado.

“Nosso objetivo é apoiar as cooperativas para que estejam estruturadas, competitivas e preparadas para aproveitar oportunidades de comercialização. Isso inclui desde a organização da produção até a qualificação para participação em mercados estratégicos, como a alimentação escolar”, explica.
Apoio jurídico amplia participação nos programas públicos
O Sistema OCB/PA também oferece suporte jurídico especializado para auxiliar cooperativas na análise de editais, elaboração de documentação e cumprimento das exigências legais relacionadas ao PNAE e a outros programas governamentais.
Para a assessora jurídica da entidade, Dra. Nelian Rossafa, esse acompanhamento é fundamental para ampliar a participação dos empreendimentos nos mercados institucionais.
“A orientação jurídica é fundamental para evitar inconsistências documentais e garantir que as cooperativas estejam aptas a participar das chamadas públicas. Nosso trabalho busca dar segurança aos empreendimentos e ampliar suas possibilidades de acesso aos mercados institucionais”, destaca.
Impacto vai além do campo
Os efeitos da participação das cooperativas no PNAE ultrapassam a produção agrícola. O aumento da renda das famílias rurais movimenta o comércio local, gera empregos e estimula novos investimentos nas comunidades.
Ao mesmo tempo, estudantes passam a ter acesso a alimentos frescos e produzidos na própria região, fortalecendo uma cadeia que conecta desenvolvimento econômico, inclusão produtiva e alimentação de qualidade.
Foto: Magnific
Fonte: Sistema OCB/PA, com adaptações da MundoCoop.

