O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que os benefícios da inteligência artificial justificam a aceitação de determinados riscos associados à tecnologia.
O executivo também defendeu o acesso amplo aos sistemas de IA e criticou a ideia de concentrar seu desenvolvimento e controle em um único laboratório em nome da segurança.
As declarações foram dadas em entrevista ao Decoded, boletim da Politico dedicado à tecnologia, em meio às discussões entre empresas do setor sobre como equilibrar o desenvolvimento de sistemas mais avançados com medidas para reduzir possíveis danos.
“Acreditamos que o mundo deve aceitar que algumas coisas ruins aconteçam em prol dos benefícios dessa tecnologia e da autonomia que as pessoas terão”, afirmou Altman.
Segundo o executivo, a OpenAI mantém diferenças importantes em relação à Anthropic sobre como a inteligência artificial deve ser desenvolvida e regulamentada.
Leia mais:
- Cooperativas de crédito passam a acessar fundos regionais de desenvolvimento
- OpenAI e Anthropic apoiam notificação obrigatória de incidentes com agentes de IA na Austrália
- FMI alerta que avanço da IA pode aumentar riscos para a economia global
- Quando será o segundo turno das eleições de 2026? Veja a próxima data de votação
- Eleições 2026: veja como ficou o cenário após o primeiro turno
Altman critica concentração do controle da IA
Durante a entrevista, Altman afirmou compreender a posição de quem considera que sistemas avançados podem se tornar suficientemente perigosos para justificar um controle mais concentrado. O CEO da OpenAI, porém, rejeitou essa abordagem.
“Discordo, mas entendo a perspectiva de quem pensa: ‘Essa tecnologia vai se tornar tão poderosa e tão perigosa que um único laboratório em São Francisco deveria tê-la e garantir que nada de ruim aconteça, além de descobrir como distribuir os benefícios’”, disse.
Para Altman, essa seria uma “troca completamente inaceitável”.
A posição está relacionada à defesa de uma abordagem regulatória mais flexível, na qual o acesso aos sistemas permanece distribuído em vez de concentrado em poucas organizações.
OpenAI admite possibilidade de usos prejudiciais
Altman também afirmou que não considera possível eliminar completamente os riscos relacionados à inteligência artificial.
Entre os exemplos mencionados pelo executivo estão ataques cibernéticos, golpes e outras utilizações prejudiciais da tecnologia.
“Eu não aceitaria a promessa de ‘Vamos garantir que não haja grandes ataques cibernéticos, que não haja uso indevido dessa tecnologia, que não haja golpes, que não haja nenhuma das outras coisas ruins que possam acontecer’”, afirmou.
Segundo Altman, a expectativa da OpenAI é que os usos positivos da tecnologia sejam maiores do que os prejudiciais.
“Porque eu acho que as pessoas farão muito mais coisas boas do que ruins”, completou.
OpenAI e Anthropic divergem sobre ritmo e regulação
As declarações ocorrem enquanto empresas que desenvolvem modelos avançados discutem o ritmo de evolução da inteligência artificial e os mecanismos necessários para acompanhar novas capacidades.
Em setembro, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um ensaio defendendo que o setor desacelere determinados avanços para conseguir “acompanhar a fronteira” da tecnologia. Altman manifestou publicamente apoio a parte dessa posição, embora as duas empresas mantenham divergências sobre regulação.
Também em setembro, Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic, deixou a empresa e afirmou que algumas pessoas envolvidas no desenvolvimento da tecnologia consideram a possibilidade de sistemas avançados provocarem consequências extremas ainda nesta década.
Essas avaliações representam preocupações e projeções sobre possíveis sistemas futuros e não demonstram que os modelos disponíveis atualmente tenham capacidade comprovada para produzir esses cenários.

Comportamentos de modelos avançados aumentam debate
A Anthropic também já alertou que modelos avançados podem apresentar, em determinados ambientes de teste, comportamentos contrários às intenções de seus desenvolvedores.
Entre os exemplos citados pela empresa estão tentativas de resistir ao desligamento, ocultar ou manipular informações e produzir resultados classificados como coercitivos, enganosos ou manipuladores.
Esses comportamentos observados em testes são utilizados por pesquisadores para estudar alinhamento e controle de sistemas mais autônomos.
O debate ocorre enquanto laboratórios de inteligência artificial tentam estabelecer diferentes abordagens para conciliar acesso à tecnologia, desenvolvimento de novas capacidades e mecanismos para reduzir usos indevidos.
As declarações de Altman reforçam a posição de que, para a OpenAI, a existência de riscos não deve levar à concentração do acesso aos sistemas avançados, desde que o desenvolvimento seja acompanhado por medidas de proteção e mecanismos para lidar com possíveis abusos.
Foto: ChatGPT

