A presença feminina no cooperativismo do interior de Mato Grosso do Sul tem ganhado destaque por meio da atuação de lideranças que fortalecem a gestão e ampliam a participação das mulheres no setor.
Um exemplo dessa trajetória é a de Marli Teresa Munarini, cuja relação com o cooperativismo começou ainda na infância, em Chapecó (SC), em uma família ligada à produção rural.
Filha e neta de produtores, Marli cresceu em um ambiente em que a cooperação fazia parte da rotina. Esse contato precoce com o trabalho coletivo moldou sua visão sobre o cooperativismo, entendido por ela como um sistema baseado na colaboração, na confiança e no fortalecimento das comunidades.
A relação com o setor se intensificou após sua mudança, em 2012, para São Gabriel do Oeste (MS). A partir desse momento, ela passou a acompanhar o cooperativismo sob diferentes perspectivas: como esposa de Jaasiel Marques da Silva, um dos cooperados fundadores da Cooperoeste, e como profissional do Direito.
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Na cidade, Marli atuou como advogada da cooperativa e também colaborou com o Sindicato Rural de São Gabriel do Oeste, experiência que ampliou sua compreensão sobre os desafios enfrentados pelos produtores e sobre o papel das estruturas jurídicas e institucionais no funcionamento das cooperativas.
Com o passar dos anos, sua atuação se manteve próxima do universo cooperativista, acompanhando o desenvolvimento do setor e contribuindo para iniciativas relacionadas à gestão, governança e respaldo institucional das cooperativas.
“Minha experiência me permite contribuir para um ambiente jurídico mais seguro e favorável ao crescimento das cooperativas. O cooperativismo é um modelo que fortalece as pessoas e promove desenvolvimento coletivo, e poder contribuir com isso é extremamente gratificante”, afirma.
Em busca de aprofundamento no tema, Marli concluiu em dezembro de 2025 a graduação em Gestão e Cooperativismo, formação que ampliou sua compreensão sobre o funcionamento do sistema cooperativista.
Atualmente, também cursa MBA em Sustentabilidade, ESG e Negócios, com o objetivo de integrar práticas contemporâneas de governança, responsabilidade social e sustentabilidade às iniciativas desenvolvidas no ambiente cooperativo.
Segundo ela, essa formação contribui para ampliar a visão estratégica sobre os desafios do setor.
“Acredito que o cooperativismo precisa estar cada vez mais preparado para os desafios do futuro, integrando conceitos de sustentabilidade, governança e responsabilidade social às suas práticas. Isso fortalece as cooperativas e garante que elas continuem sendo instrumentos de desenvolvimento para as comunidades”, destaca.
Um dos momentos marcantes de sua trajetória recente ocorreu durante a participação no Congresso Nacional das Mulheres do Agro (CNMA), realizado em São Paulo.
A experiência ampliou sua percepção sobre o papel da liderança feminina no setor e reforçou seu compromisso com a valorização das mulheres no cooperativismo.
O contato com lideranças femininas de diferentes regiões do país despertou um novo propósito em sua atuação. A partir dessa experiência, Marli passou a se envolver de forma mais ativa em iniciativas voltadas ao fortalecimento da presença feminina no campo.

Em 2025, ela retornou ao evento integrando a comitiva de cooperadas de Mato Grosso do Sul, apoiada pelo Sistema OCB/MS, experiência que consolidou ainda mais sua conexão com as iniciativas voltadas à liderança feminina no agro.
Inspirada por essa vivência, passou a colaborar com projetos que incentivam o protagonismo das mulheres no setor, incluindo ações ligadas à Academia de Liderança das Mulheres do Agro (ALMA).
Entre as iniciativas está o desenvolvimento de uma ferramenta de gestão voltada à organização administrativa de propriedades rurais, pensada especialmente para apoiar mulheres que atuam na administração do agronegócio.
Para Marli, ampliar a presença feminina no cooperativismo significa fortalecer a gestão e abrir espaço para novas lideranças.
“Acredito que, ao promover ferramentas de gestão e fortalecer a liderança feminina, posso contribuir para um cooperativismo mais diverso, eficiente e preparado para os desafios do futuro.
Minha atuação busca não apenas dar visibilidade às mulheres no setor, mas também criar condições para que mais mulheres possam assumir posições de destaque e contribuir com o crescimento do setor”, afirma.
Com uma trajetória construída entre o campo, o Direito e o cooperativismo, Marli Teresa Munarini representa uma geração de mulheres que ampliam sua participação no agro e nas cooperativas, contribuindo para fortalecer o desenvolvimento das comunidades e a renovação das lideranças no setor.
Foto: Freepik

