A Amazon firmou um acordo para se tornar a primeira cliente comercial da Nuton Technologies, empresa que utiliza microorganismos no processo de extração de cobre.
O metal será destinado, de forma indireta, à infraestrutura dos data centers da Amazon Web Services (AWS), divisão de computação em nuvem da companhia.
A parceria ocorre em um contexto de crescente pressão sobre a cadeia global de suprimentos, impulsionada pela expansão acelerada da inteligência artificial e da demanda por capacidade computacional.
A Nuton Technologies é o braço tecnológico da mineradora Rio Tinto e desenvolve um método conhecido como biolixiviação. O processo utiliza microorganismos naturais, como bactérias e compostos ácidos, para extrair cobre de minérios de baixa concentração, que seriam economicamente inviáveis por métodos tradicionais.
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Segundo a empresa, a tecnologia reduz o consumo de água e as emissões de carbono em comparação à mineração convencional, além de permitir a recuperação de cobre a partir de camadas de minério antes descartadas.
O fornecimento destinado à Amazon terá origem na mina Johnson Camp, no estado do Arizona, nos Estados Unidos, reativada após anos de inatividade.
O local funciona como campo de testes da tecnologia da Nuton e produziu, em dezembro, seus primeiros cátodos de cobre utilizando o processo biológico.
De acordo com informações do The Wall Street Journal, o cobre extraído será utilizado indiretamente na infraestrutura dos data centers da AWS, que demandam grandes volumes do metal para cabos, transformadores, sistemas elétricos e componentes eletrônicos.
Em contrapartida, o acordo prevê que a Amazon forneça à Rio Tinto serviços de computação em nuvem e análise de dados.
O objetivo é otimizar o processo de extração, melhorar as taxas de recuperação do cobre e apoiar a escalabilidade da tecnologia para outras operações da mineradora nas Américas.
Apesar do acordo, o volume de cobre envolvido representa apenas uma fração das necessidades da Amazon. A expectativa de produção é de cerca de 14 mil toneladas métricas de cátodos ao longo de quatro anos, quantidade insuficiente para abastecer um único grande data center.
Ainda assim, o movimento reflete uma tendência mais ampla entre empresas de tecnologia, que buscam garantir acesso antecipado a matérias-primas consideradas críticas.
A demanda por cobre tem crescido não apenas por causa dos data centers, mas também pela modernização das redes elétricas, pela eletrificação dos transportes e pela expansão das fontes renováveis de energia.

