O Sistema OCB participou de um workshop internacional realizado em Nairobi, no Quênia, voltado ao fortalecimento de sistemas cooperativos de saúde no continente africano.
O encontro reuniu representantes de diferentes países para debater alternativas sustentáveis de ampliação do acesso à saúde e integração de profissionais do setor.
Promovido pela Aliança Cooperativa Internacional para a África, o evento teve como foco a contribuição das cooperativas para o avanço do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS), ligado à saúde e bem-estar.
Leia mais:
- YouTube amplia ferramenta contra deepfakes e libera recurso para todos os usuários adultos
- Governo libera R$ 30 milhões para qualificação profissional em estados e municípios
- Cooperativas de reciclagem movimentam R$ 1,36 bilhão e ampliam geração de renda no país
- Parceria entre Apple e OpenAI entra em crise e pode acabar na Justiça
- Fim da taxa das blusinhas deve reduzir arrecadação federal em quase R$ 10 bilhões até 2028
O Brasil foi representado pelo coordenador de Relações Internacionais do Sistema OCB, João Penna, que apresentou a experiência brasileira na organização de cooperativas de saúde e os impactos do modelo na ampliação do atendimento e na estruturação do trabalho médico.
Experiência brasileira foi destaque nas discussões
Durante a apresentação, Penna explicou que o cooperativismo de saúde no Brasil surgiu como resposta à necessidade de maior autonomia profissional e melhores condições de organização para médicos e trabalhadores da área.

Segundo ele, esse movimento permitiu a criação de estruturas cooperativas consolidadas, como o sistema Unimed, que hoje opera em ampla escala nacional. O representante também apresentou números do setor no país:
- 699 cooperativas de saúde em operação;
- cerca de 270 mil cooperados;
- presença em mais de 90% do território nacional.
De acordo com Penna, os dados demonstram que o cooperativismo passou a ocupar papel relevante dentro da estrutura de atendimento em saúde no Brasil.
“O cooperativismo de saúde no Brasil mostra que é possível estruturar sistemas robustos a partir da organização dos próprios profissionais, com governança, escala e compromisso com a qualidade do atendimento”, afirmou.
Evento discutiu desafios da saúde em países africanos
As discussões ocorreram em um contexto de dificuldades enfrentadas por diversos países africanos na expansão da cobertura de saúde, especialmente entre trabalhadores informais e populações com menor acesso a serviços médicos.
Entre os principais desafios debatidos estiveram:
- limitações de financiamento;
- alto custo dos serviços de saúde;
- dificuldades de cobertura universal;
- carência de estruturas organizadas de atendimento.
O workshop também reuniu representantes de países como Etiópia, Uganda, Zimbábue, Quênia e Espanha, promovendo troca de experiências sobre modelos cooperativos aplicados à saúde pública e suplementar.
Cooperativismo é visto como alternativa para ampliar acesso
Ao longo da programação, participantes discutiram caminhos para adaptar experiências cooperativistas às realidades locais africanas, incluindo projetos piloto e estratégias de fortalecimento institucional.
A expectativa dos organizadores é ampliar o debate sobre políticas públicas ligadas ao cooperativismo de saúde e estimular iniciativas capazes de melhorar o acesso da população aos serviços médicos em diferentes regiões do continente.
Foto: Magnific

