Mesmo antes do encerramento do mês, as exportações brasileiras de algodão em pluma já alcançaram o maior volume da história para maio.
O avanço dos embarques ocorre em meio ao ritmo acelerado das vendas externas, enquanto as negociações no mercado spot interno seguem mais pontuais, segundo análise do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil embarcou 230,34 mil toneladas da fibra nos primeiros 15 dias úteis de maio. O volume já supera em 19,8% todo o total exportado no mesmo mês de 2025, consolidando um novo recorde para o período.
Apesar do desempenho histórico, o resultado parcial ainda permanece 37,8% abaixo do registrado em abril deste ano. Ainda assim, a média diária de embarques avançou de forma expressiva, chegando a 15,36 mil toneladas por dia útil, alta de 67,8% em relação às 9,15 mil toneladas observadas em maio do ano passado.
Safra já supera desempenho do ciclo anterior
No acumulado da safra 2025/26, iniciada em agosto de 2025, o Brasil já exportou mais de 2,9 milhões de toneladas de algodão até a terceira semana de maio.

O volume ultrapassa em aproximadamente 4% todo o total embarcado durante a safra 2024/25, quando o país registrou exportações de 2,84 milhões de toneladas.
O cenário levou consultorias a revisarem projeções para os embarques da fibra brasileira. A StoneX elevou em 6,5% sua estimativa de exportação para a atual safra, projetando agora 3,3 milhões de toneladas exportadas. A produção nacional está estimada em 3,86 milhões de toneladas.
Diferença entre mercado externo e interno aumenta
Em relação aos preços, a média das exportações brasileiras na parcial de maio ficou em US$ 0,6995 por libra-peso, avanço de 1,9% frente a abril de 2026. Na comparação com maio do ano passado, porém, o valor apresenta queda de 4,2%.
Convertido para reais, o preço médio das exportações ficou em R$ 3,4776 por libra-peso, valor 17,5% inferior à média praticada no mercado spot interno, atualmente em R$ 4,2154 por libra-peso.
Segundo o Cepea, essa diferença entre os preços domésticos e externos é a maior desde setembro de 2022, período em que os valores de exportação chegaram a ficar 21% abaixo das cotações do mercado interno.
O desempenho reforça o avanço da participação brasileira no mercado global de algodão, impulsionado principalmente pelo aumento da produção, competitividade logística e forte demanda internacional pela fibra nacional.
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