O cooperativismo do Distrito Federal ampliou sua presença na economia local em 2024, impulsionado pelo crescimento da base de cooperados e pela evolução dos principais indicadores financeiros. Dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), mostram que o setor encerrou o ano com 101 cooperativas, 294.308 cooperados e R$ 7,19 bilhões em ativos.
Entre 2023 e 2024, o número de cooperados passou de 183.042 para 294.308, crescimento de 60,8%. No mesmo período, os ativos das cooperativas cresceram 6,7%, enquanto os ingressos alcançaram R$ 2,91 bilhões, alta de 7,4% em relação ao ano anterior.
Em entrevista exclusiva à MundoCoop, o presidente do Sistema OCB/DF, Remy Gorga Neto, afirmou que a evolução dos indicadores está relacionada ao fortalecimento da gestão das cooperativas e ao reconhecimento crescente do modelo cooperativista.
“O cooperativismo do Distrito Federal exerce um papel fundamental na geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento da economia local”, afirmou.
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Presença econômica em expansão
A evolução dos indicadores mostra que o avanço do cooperativismo local ocorreu principalmente pela ampliação da base social e das operações das organizações existentes. Além do crescimento dos cooperados e dos empregos, o capital social das cooperativas passou de R$ 797,2 milhões, em 2022, para R$ 1,2 bilhão em 2024, aumento de aproximadamente 50,5%.
Segundo Remy Gorga Neto, os resultados refletem mudanças na gestão das organizações e uma maior valorização do cooperativismo por parte da sociedade.
“O crescimento observado nos últimos anos resulta de um conjunto de fatores. Entre eles, destacam-se a maior profissionalização das cooperativas, o fortalecimento da governança, os investimentos em capacitação realizados pelo Sistema OCB/DF e a crescente percepção da sociedade sobre as vantagens do modelo cooperativo”, destacou.
Diversidade dos ramos
O cooperativismo do Distrito Federal reúne organizações de diferentes segmentos da economia. O ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços concentra o maior número de cooperativas, com 43 organizações, seguido pelos ramos Crédito e Agropecuário, ambos com 15 cooperativas. Também fazem parte da estrutura local os ramos Saúde, com 12 cooperativas, Infraestrutura, com oito, Consumo, com cinco, e Transporte, com três.
Apesar de representar menos de 15% das cooperativas do Distrito Federal, o ramo Crédito concentra a maior parte dos resultados financeiros do setor.
Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, as cooperativas de crédito respondem por:
- 91,2% dos ativos;
- 64,4% dos ingressos;
- 86,5% das sobras registradas no Distrito Federal.
Essa composição evidencia a importância do segmento para a economia cooperativista local, ao mesmo tempo em que demonstra a diversidade de atividades desenvolvidas pelas cooperativas da região.
Para Remy Gorga Neto, essa variedade de ramos é uma das características do cooperativismo no Distrito Federal.
“A identidade do cooperativismo do Distrito Federal caracteriza-se pela diversidade de ramos, pela forte presença de cooperativas urbanas, com destaque para Saúde e Trabalho, Produção de Bens e Serviços, pelo protagonismo do Crédito e pelo fortalecimento das cooperativas agropecuárias, principalmente entre agricultores familiares”, afirmou.

Experiência e renovação
O levantamento também mostra um equilíbrio entre cooperativas consolidadas e organizações mais recentes.
Das 101 cooperativas em atividade, 29 possuem mais de 20 anos de atuação, enquanto 26 foram constituídas nos últimos cinco anos, demonstrando um processo contínuo de renovação do setor.
Segundo o presidente do Sistema OCB/DF, essa combinação contribui para reunir experiência e capacidade de adaptação às novas demandas do mercado.
A renovação também aparece na composição do quadro social. Entre 2023 e 2024, a participação feminina entre os cooperados passou de 43,6% para 44,2%.
Apesar do avanço, Remy observa que ainda existem desafios relacionados à sucessão das lideranças e à ampliação da presença das mulheres nos espaços de decisão.
“Ainda existem desafios relacionados à renovação das lideranças em algumas cooperativas, à ampliação da participação feminina nos conselhos de administração e à preparação de sucessores para cargos estratégicos”, afirmou.
Modernização e novas competências
Além da renovação das lideranças, a modernização da gestão aparece entre as prioridades para sustentar o crescimento do cooperativismo no Distrito Federal.
Entre as oportunidades apontadas por Remy Gorga Neto estão a intercooperação, a integração das cadeias produtivas, a internacionalização dos negócios e a incorporação de novas tecnologias, sempre preservando a proximidade entre as cooperativas e seus associados.
Para o dirigente, o futuro do setor dependerá da capacidade das organizações de combinar tradição e inovação.
“O futuro do cooperativismo dependerá da capacidade de combinar experiência e renovação, preservando a essência cooperativa e incorporando novas competências”, concluiu.
Foto: Unsplash

