A comparação entre o PIX e o Zelle ganhou destaque nos últimos dias após declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e discussões envolvendo críticas do governo dos Estados Unidos ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Embora ambos permitam transferências rápidas de dinheiro, as duas soluções possuem origens, estruturas e formas de funcionamento bastante diferentes.
Criado pelo Banco Central e lançado em 2020, o PIX opera como uma infraestrutura pública de pagamentos instantâneos. O próprio Banco Central é responsável pela regulamentação, supervisão e manutenção do sistema, que está disponível para bancos, cooperativas de crédito, fintechs e demais instituições autorizadas a operar no país.
Já o Zelle foi lançado em 2017 como uma iniciativa privada. A plataforma pertence à Early Warning Services, empresa controlada por grandes bancos norte-americanos, entre eles Bank of America, JPMorgan Chase, Wells Fargo, Capital One e U.S. Bank.
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Uma das principais diferenças está no alcance das plataformas. O PIX funciona de forma padronizada em praticamente todo o sistema financeiro brasileiro, enquanto o Zelle depende da adesão das instituições financeiras participantes. Atualmente, a ferramenta está integrada a mais de 2,4 mil aplicativos de bancos e cooperativas de crédito nos Estados Unidos.
As formas de identificação também variam. No Brasil, o PIX permite o uso de CPF, CNPJ, e-mail, número de celular ou chave aleatória. No Zelle, o cadastro é realizado apenas por meio de e-mail ou telefone celular.
No uso cotidiano, o PIX oferece transferências instantâneas e gratuitas para pessoas físicas na maior parte das operações. Além das transferências entre usuários, o sistema é amplamente utilizado para pagamentos em estabelecimentos comerciais, quitação de contas, operações empresariais e recolhimento de tributos.

O Zelle, por sua vez, foi desenvolvido principalmente para transferências entre pessoas e pequenos negócios. Embora as transações sejam rápidas, o prazo para disponibilização dos recursos pode variar de acordo com a instituição financeira. As tarifas também dependem da política de cada banco, ainda que a maioria das instituições participantes não cobre taxas dos consumidores.
Outro ponto de distinção envolve os mecanismos de segurança e devolução de valores. No Brasil, o Banco Central criou o Mecanismo Especial de Devolução (MED), utilizado em situações de fraude ou golpe, permitindo que as instituições analisem a possibilidade de ressarcimento da vítima.
No caso do Zelle, uma transferência só pode ser cancelada se o destinatário ainda não tiver concluído o cadastro na plataforma. Após a confirmação do envio para um usuário registrado, a reversão da operação torna-se significativamente mais limitada.
A comparação entre os dois sistemas ganhou ainda mais repercussão após o debate sobre o papel do PIX no mercado de pagamentos digitais. Embora o Zelle seja frequentemente apontado como uma alternativa norte-americana ao sistema brasileiro, especialistas destacam que as soluções possuem propostas distintas.
Enquanto o PIX foi concebido como uma infraestrutura nacional de pagamentos instantâneos, acessível a todo o sistema financeiro regulado pelo Banco Central, o Zelle funciona como uma rede privada administrada por instituições financeiras dos Estados Unidos. Além disso, o sistema brasileiro oferece uma gama mais ampla de aplicações, incluindo pagamentos a empresas, órgãos públicos e transações disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana.
Embora ambos tenham o objetivo de facilitar movimentações financeiras digitais, o PIX se consolidou como uma infraestrutura nacional de pagamentos de uso amplo, enquanto o Zelle permanece focado em transferências dentro da rede de instituições financeiras participantes nos Estados Unidos.
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