A comercialização antecipada da safra 2026/27 de milho em Mato Grosso atingiu 4,77% da produção estimada até o final de maio, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato). O percentual representa cerca de metade da média histórica para o período, que é de 9,1%.
Na comparação com o mesmo momento do ano passado, quando os produtores já haviam negociado 5,6% da safra futura, o ritmo também é menor. Ainda assim, o indicador avançou 2,08 pontos percentuais em relação ao mês anterior.
Segundo a Famato, a cautela dos produtores está diretamente relacionada às incertezas climáticas para o segundo semestre de 2026, especialmente diante das projeções que apontam para a formação do fenômeno El Niño.
De acordo com a analista de mercado do Imea, Milena Bezerra, um evento climático mais intenso pode alterar o regime de chuvas em regiões produtoras e impactar o calendário agrícola.
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“A previsão de um El Niño mais intenso neste ano pode impactar a soja e, consequentemente, afetar a janela do milho na próxima safra”, afirmou.
Atraso da soja pode comprometer calendário do milho
O principal receio do setor está relacionado ao plantio da soja, que tradicionalmente começa em meados de setembro em Mato Grosso. Caso as chuvas atrasem ou ocorram de forma irregular, a semeadura da oleaginosa pode ser postergada, afetando a colheita e reduzindo a janela ideal para o plantio da segunda safra de milho.
Além disso, produtores vêm demonstrando interesse em variedades de soja de ciclo mais longo como estratégia para enfrentar possíveis períodos de estiagem. Segundo Marino Colpo, CEO da Boa Safra, essa alternativa pode trazer reflexos para o milho.
“O uso de cultivares de ciclo mais longo ajuda a reduzir riscos para a soja, mas encurta a janela disponível para o desenvolvimento do milho”, explicou.
Mesmo com os preços relativamente estáveis, as incertezas climáticas têm limitado o avanço das negociações futuras. Em maio, a saca de 60 quilos do milho da safra 2026/27 foi negociada, em média, a R$ 45,39, praticamente sem variação em relação ao mês anterior.
Safra atual mantém ritmo de comercialização acima de 2025
Enquanto os negócios da próxima safra avançam lentamente, a comercialização da safra 2025/26 segue em ritmo mais acelerado.
Até o final de maio, os produtores mato-grossenses já haviam negociado 47,32% da produção estimada para o ciclo atual. O percentual supera os 46,30% registrados no mesmo período do ano passado, embora permaneça abaixo da média histórica de 53,09%.
Na comparação mensal, houve avanço de 1,48 ponto percentual. Segundo a Famato, o aumento das vendas está ligado ao avanço da colheita e à maior oferta do cereal no mercado, fatores que também vêm pressionando as cotações.
“O desempenho reflete o avanço da colheita e a maior disponibilidade do cereal no mercado. Esses dois fatores têm levado os produtores a intensificar as vendas e, ao mesmo tempo, o aumento da oferta tem pressionado as cotações do milho no Estado”, destacou a entidade.

Produção segue elevada apesar da leve redução
A safra de milho 2025/26 em Mato Grosso está estimada em 53,35 milhões de toneladas, volume 3,76% inferior ao recorde registrado no ciclo anterior.
Mesmo com a pequena retração, o estado segue como principal produtor nacional e deve manter ampla disponibilidade do cereal para abastecimento do mercado interno e das exportações.
Até a última semana de maio, mais de 5% da área cultivada já havia sido colhida, segundo levantamento do Imea.
Foto: Magnific

