O consumo de feijão pelos brasileiros caiu de forma significativa nos últimos 50 anos. Segundo o Instituto Brasileiro dos Feijões e Pulses (Ibrafe), a média anual passou de 23 quilos por pessoa na década de 1970 para cerca de 12 quilos atualmente, refletindo mudanças nos hábitos alimentares e novos desafios para a cadeia produtiva.
Para o presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders, a queda está mais relacionada à rotina da população do que à aceitação do alimento. Segundo ele, o consumidor continua gostando de feijão, mas busca opções mais práticas para o dia a dia.
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Mudança de hábitos reduz consumo
De acordo com Lüders, a falta de tempo para preparar as refeições e a busca por alimentos prontos contribuíram para a redução do consumo do grão.
Em entrevista à CNN Agro, ele afirmou que ampliar a oferta de produtos prontos para consumo e desenvolver novas formas de apresentação do feijão podem ajudar a aproximar o alimento da rotina dos consumidores.
Além disso, o setor defende ações de educação alimentar para reforçar a importância nutricional do feijão e incentivar seu consumo entre as novas gerações.
Feijão carioca concentra produção e limita mercado externo
Na produção, o feijão carioca continua sendo a principal variedade cultivada no país. Embora tenha favorecido a mecanização e o aumento da produtividade, sua predominância também cria desafios para o mercado.
Segundo o Ibrafe, o feijão carioca possui consumo concentrado no Brasil, o que limita as possibilidades de exportação quando há excedentes de produção.
Como alternativa, produtores têm ampliado o cultivo de variedades com maior demanda internacional, como o feijão mungo verde e o feijão guandu (pigeon pea).
Em 2025, o Brasil exportou mais de 500 mil toneladas de feijão, incluindo mais de 200 mil toneladas destinadas à Índia, registrando o maior volume da série histórica.

Origem e qualidade podem agregar valor
O Ibrafe também defende que informar a origem e as características das diferentes variedades de feijão pode contribuir para valorizar o produto.
Segundo Marcelo Lüders, características como solo, clima e região de cultivo influenciam o sabor do grão, conceito semelhante ao já utilizado em produtos como café, vinhos e queijos.
Na avaliação do instituto, ampliar o conhecimento do consumidor sobre essas diferenças pode fortalecer o interesse pelo alimento e contribuir para recuperar parte do consumo ao longo dos próximos anos.
Foto:ChatGPT

