A cadeia da palma de óleo no Brasil projeta um novo ciclo de crescimento impulsionado pela demanda por biocombustíveis e pela expansão da agricultura familiar.
Segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Palma (Abrapalma), o país possui atualmente 283 mil hectares cultivados, produz cerca de 700 mil toneladas de óleo por ano e ainda importa aproximadamente 300 mil toneladas, indicando espaço para ampliar a produção nacional.
O setor aposta na combinação entre alta produtividade, utilização de áreas degradadas e fortalecimento dos pequenos produtores para ampliar sua participação no mercado de alimentos e combustíveis renováveis.
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Produção cresce e avança para novos municípios
Nos últimos cinco anos, a área plantada com palma cresceu cerca de 30%, passando de 220 mil para 283 mil hectares. A produção permanece concentrada no Pará, distribuída por 40 municípios, com destaque para Tailândia, Tomé-Açu, Moju e Acará. Ao mesmo tempo, a atividade começa a se expandir para novas regiões: 11 municípios passaram a produzir palma, incorporando cerca de 8,6 mil hectares ao cultivo.
Cultura reúne alta produtividade
A palma é considerada uma das culturas agrícolas com maior rendimento por área. Segundo a Abrapalma, a produção pode alcançar até 25 toneladas de cachos de frutos frescos por hectare ao ano, com ciclo produtivo que pode chegar a 30 anos.
No Brasil, a expansão da cultura segue o Zoneamento Agroecológico, que direciona novos plantios para áreas degradadas e não permite o avanço sobre vegetação nativa.
Biocombustíveis ampliam demanda
O crescimento do mercado de combustíveis renováveis é apontado como uma das principais oportunidades para o setor. Além do uso na indústria alimentícia, o óleo de palma pode ser utilizado na produção de:
- diesel verde (HVO);
- combustível sustentável de aviação (SAF);
- biodiesel.
Atualmente, cerca de 10% da produção brasileira já é destinada ao biodiesel em unidades instaladas no Pará.
Agricultura familiar ganha espaço
A agricultura familiar também vem ampliando sua participação na cadeia. Os pequenos produtores ocupam aproximadamente 39,1 mil hectares, o equivalente a 13,8% da área cultivada, e respondem por cerca de 22,4% da produção nacional.

Segundo estudos citados pelo setor, a expansão sustentável da cultura poderá beneficiar até 25 mil famílias, muitas delas integrando a palma com cultivos como:
- açaí;
- cacau;
- cupuaçu;
- graviola.
Desafios permanecem
Apesar do potencial de crescimento, a cadeia ainda enfrenta obstáculos para ampliar sua competitividade. Entre os principais desafios apontados pelo setor estão:
- custo logístico para transportar a produção do Norte até os principais centros consumidores;
- concorrência com óleo importado beneficiado por isenções tarifárias;
- limitações nas linhas de crédito voltadas aos produtores familiares.
Na avaliação da Abrapalma, a ampliação do financiamento, melhorias na logística e maior previsibilidade regulatória serão fatores importantes para fortalecer a produção nacional, reduzir a dependência das importações e ampliar o fornecimento de matéria-prima para os mercados de alimentos e biocombustíveis.
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