A diversificação de destinos passou a integrar de forma permanente a estratégia comercial do agronegócio brasileiro. A avaliação é da ApexBrasil, que vê espaço para ampliar a presença dos produtos nacionais em mercados da Ásia, África e América, sem abandonar parceiros tradicionais como China, Estados Unidos e União Europeia.
Segundo Gabriel Chelis, analista de agronegócio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a busca por novos compradores deixou de ser uma resposta pontual a crises comerciais e passou a fazer parte da rotina do setor.
O movimento ocorre em um cenário marcado por tarifas, restrições sanitárias e maior competição entre países exportadores. A estratégia, porém, não prevê substituir os mercados já consolidados, mas ampliar o número de destinos e reduzir a dependência de poucos compradores.
“Diversificação de mercados tem que entrar como um prato do dia a dia, e não como uma medida extraordinária”, afirmou Chelis em entrevista à CNN Agro.
Ásia, África e América ganham espaço
As ações de promoção comercial estão sendo direcionadas a diferentes regiões, com atenção especial aos países asiáticos. Mercados que anteriormente recebiam menor prioridade passam a integrar as iniciativas de diplomacia agrícola e inteligência comercial.
Para apoiar produtores e empresas, a ApexBrasil também prepara materiais com informações sobre oportunidades em diferentes países. A proposta é auxiliar na tomada de decisões e adaptar produtos e estratégias às características de cada mercado.
Leia mais:
- Conselheiro da OpenAI alerta para risco de perda de controle sobre sistemas avançados de IA
- Cooperativas brasileiras levam artesanato nacional a feira internacional em Paris
- Tecnologia mais cara em 2026: anúncios, IA e WhatsApp aumentam custos para empresas e consumidores
- Setor veterinário cria cooperativa para compras coletivas de medicamentos e rações
- Cooperativismo catarinense inicia projeto-piloto de comunicação para ampliar educação política nas cooperativas
Segundo Chelis, a mudança representa uma revisão da própria forma de enxergar os parceiros comerciais.
“Isso não quer dizer abandonar parceiros tradicionais, como China e Estados Unidos, mas observar novos parceiros ou aqueles que antes enquadrávamos como de menor importância. Hoje, não encaramos mais os parceiros dessa forma”, explicou.
União Europeia combina oportunidades e barreiras
A relação com a União Europeia permanece estratégica, mas envolve perspectivas distintas para o agronegócio brasileiro. De um lado, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode abrir novas oportunidades para as exportações. De outro, restrições aplicadas à carne bovina brasileira demonstram que barreiras sanitárias e comerciais continuam presentes.

O Brasil também mantém negociações relacionadas às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos nacionais. Para a ApexBrasil, um dos principais desafios do setor está em demonstrar a sustentabilidade e a capacidade de rastreamento das cadeias produtivas brasileiras.
Tecnologia, rastreabilidade e aperfeiçoamento dos processos devem ganhar peso nas negociações comerciais. Chelis avalia que o país precisa manter uma posição estável nas negociações internacionais, mesmo diante do aumento das barreiras comerciais.
Com isso, a diversificação deixa de funcionar apenas como alternativa em momentos de tensão e passa a integrar uma estratégia contínua para ampliar a presença do agronegócio brasileiro no comércio internacional.
Foto:

