Quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos utiliza chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT, pelo menos uma vez por semana para estudar. O dado faz parte do Pisa 2025, divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e mostra que o uso da tecnologia entre alunos no Brasil está ligeiramente acima da média dos países da organização.
No Brasil, 48% dos estudantes afirmaram utilizar ferramentas de IA semanalmente para atividades de estudo, enquanto a média da OCDE ficou em 46%. Esta foi a primeira edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes a levantar informações sobre o uso de chatbots de inteligência artificial.
Realizado a cada três anos, o Pisa avalia conhecimentos e habilidades de estudantes de 15 anos em áreas como ciências, matemática e leitura. A edição de 2025 também analisou aspectos relacionados à presença das tecnologias digitais na rotina escolar.
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Uso frequente de IA acende alerta sobre desempenho
Apesar da presença crescente dos chatbots entre os estudantes, os dados da OCDE indicam que a frequência e a forma de utilização dessas ferramentas precisam ser consideradas.
O levantamento aponta que alunos de 15 anos que recorrem diariamente a chatbots para determinadas atividades escolares apresentam desempenho inferior ao de estudantes que quase não utilizam a tecnologia.
Os resultados não significam, por si só, que a inteligência artificial seja responsável pela queda nas notas, mas colocam em discussão como essas ferramentas estão sendo incorporadas às atividades de aprendizagem.
A presença de dispositivos digitais nas escolas também aparece no levantamento. Estudantes brasileiros passam, em média, 1,3 hora por dia utilizando equipamentos digitais na escola para aprender, abaixo das 1,7 hora registradas na média da OCDE.
Para atividades que não estão relacionadas ao aprendizado, o tempo médio chega a 1 hora por dia no Brasil, próximo das 1,1 hora registradas nos países da organização.
Distração digital está associada a menor desempenho
No Brasil, 25% dos estudantes disseram que seus colegas frequentemente se distraem com dispositivos digitais durante a maioria ou todas as aulas de ciências. Na média da OCDE, o percentual chega a 28%.
Entre os países da organização, estudantes que relatam esse tipo de distração apresentam, em média, desempenho 11 pontos inferior em ciências, mesmo quando consideradas diferenças socioeconômicas. No Brasil, a diferença chega a 19 pontos.
Ao mesmo tempo, aumentou significativamente o número de escolas brasileiras que restringem celulares. Em 2025, 81% dos estudantes frequentavam instituições onde o uso de celulares não era permitido nas dependências escolares. Em 2022, eram 37%. Na média da OCDE, o indicador passou de 34% para 49% no mesmo período.

Segundo os dados, estudantes de escolas que proíbem celulares apresentam probabilidade cerca de 13% menor de relatar distrações provocadas por dispositivos digitais, considerando a média dos países da OCDE.
Bullying atinge 17% dos estudantes brasileiros
O Pisa também avaliou situações de bullying e cyberbullying. No Brasil, 17% dos estudantes relataram ter sofrido pelo menos uma forma de bullying algumas vezes por mês ou com maior frequência, abaixo da média de 20% da OCDE.
O indicador brasileiro permaneceu relativamente estável entre 2022 e 2025, enquanto houve aumento do problema na maioria dos países e economias participantes.
No ambiente digital, 3% dos estudantes brasileiros afirmaram que informações prejudiciais ou incômodas foram publicadas sobre eles na internet sem consentimento pelo menos algumas vezes por mês nos 12 meses anteriores à avaliação. O percentual é igual à média da OCDE.
Brasil permanece abaixo da média em ciências, matemática e leitura
Os resultados de aprendizagem mostram uma distância entre o desempenho dos estudantes brasileiros e a média da OCDE nas três áreas avaliadas.
Em ciências, 48% dos brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado um patamar básico para interpretar fenômenos científicos e informações simples. Na média da OCDE, são 74%. Apenas 1% dos estudantes brasileiros chegou aos níveis 5 ou 6, ante 7% na organização.
Em matemática, 28% atingiram pelo menos o nível 2, enquanto a média da OCDE ficou em 65%. Praticamente nenhum estudante brasileiro alcançou os níveis 5 ou 6, comparado a 8% na média dos países participantes.
Já em leitura, 49% dos estudantes brasileiros chegaram ao nível 2 ou superior, diante de 69% na OCDE. Entre os alunos de maior desempenho, 1% atingiu o nível 5 ou superior no Brasil, contra 6% na média da organização.
A estreia de perguntas sobre inteligência artificial no Pisa mostra como a tecnologia já faz parte da rotina de uma parcela significativa dos estudantes. Os resultados também colocam em evidência o desafio de incorporar essas ferramentas ao ambiente educacional sem ampliar distrações e buscando preservar o desenvolvimento das habilidades avaliadas em sala de aula.
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