Ramo reúne 247 cooperativas e cerca de 1,5 milhão de cooperados e garante energia, conectividade e moradia em regiões onde o acesso é mais difícil.
As cooperativas do ramo infraestrutura movimentaram R$ 6,8 bilhões em 2025, segundo material divulgado pelo Sistema OCB em 23 de outubro com base no AnuárioCoop 2026. O ramo reúne 247 cooperativas e cerca de 1,5 milhão de cooperados. A atuação se concentra em áreas rurais e de baixa densidade populacional, onde serviços como energia elétrica, telecomunicações e saneamento costumam chegar com mais dificuldade.
Para quem acompanha o mercado, o dado mostra um modelo que já presta serviços essenciais em escala, em setores regulados e com qualidade medida por indicadores oficiais.
Um ramo com cinco frentes de atuação
O cooperativismo de infraestrutura existe no Brasil há mais de 80 anos. Além dos R$ 6,8 bilhões em ingressos, o ramo somou cerca de R$ 11,4 bilhões em ativos e pouco mais de 7 mil empregos diretos em 2025, com atuação dividida em cinco segmentos.
- Energia: o maior e mais estruturado do ramo, com operações de geração e distribuição de eletricidade.
- Construção civil e habitação: projetos coletivos que viabilizam moradia com custos acessíveis e maior controle do processo construtivo.
- Água e saneamento: atuação ainda pontual, com sistemas simplificados de abastecimento e esgoto, principalmente em comunidades rurais.
- Irrigação: estrutura de irrigação voltada à produção agrícola.
- Telecomunicações: segmento mais recente, incorporado a partir da Lei 15.324/2026, que reconheceu as cooperativas como prestadoras desse tipo de serviço.
Uma mesma cooperativa pode atuar em mais de um desses segmentos, o que ajuda a explicar a presença do ramo em regiões com pouca oferta de serviços. Ainda assim, é na energia que está a maior parte da estrutura e da história do cooperativismo de infraestrutura.
Energia onde a rede não chegava
A história do ramo começa na eletrificação rural. A primeira cooperativa do gênero surgiu em Erechim (RS), em 1941, para levar eletricidade a famílias do campo. Hoje o país tem 67 cooperativas de distribuição de energia elétrica, sendo 52 permissionárias, 14 autorizadas e uma concessionária.
Juntas, elas atendem cerca de 804 mil ligações de cooperados e consumidores, o que corresponde a mais de 3 milhões de pessoas. Ao fim de 2025, essa estrutura contava com 49 subestações próprias e mais de 112 mil quilômetros de redes de distribuição.
A qualidade do serviço aparece também nas avaliações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo o AnuárioCoop, as cooperativas permissionárias registraram índice médio de satisfação do consumidor de 71,1% em 2026, acima dos 63,93% das concessionárias.
Energia e conexão para quem produz no interior
O material do Sistema OCB destaca que energia estável e conectividade sustentam propriedades rurais, agroindústrias, comércio e prestadores de serviços nas regiões atendidas. Um exemplo é a Coprel, cooperativa gaúcha presente em 72 municípios, com cerca de 60 mil cooperados. Além de distribuir, gerar e comercializar energia, ela oferece internet de alta velocidade.
Por meio do programa estadual Energia Forte no Campo, a cooperativa já construiu 620 quilômetros de redes trifásicas, beneficiando mais de 7 mil famílias em 49 municípios. Esse tipo de rede entrega mais capacidade e permite o uso de equipamentos de maior potência e a automação de processos nas propriedades.
Na conectividade, iniciativas cooperativistas já atendem mais de 74 mil usuários, com foco em áreas rurais e inclusão digital. A nova lei deve abrir espaço para a criação de outras cooperativas no setor.
O peso do cooperativismo na cadeia produtiva regional
Para empresas com operação fora das capitais, sobretudo no agro e na indústria, energia de qualidade e conexão estável são condições para expandir, automatizar e manter a produtividade. Em boa parte dessas regiões, quem fornece esses serviços já é uma cooperativa.
Os números ajudam a desfazer a ideia de que o modelo cooperativo serve apenas a iniciativas pequenas ou de caráter exclusivamente social. O ramo opera em mercados regulados, com investimento em rede, metas de qualidade e gestão profissional.
A mesma lógica aparece em outros ramos, como o de trabalho e prestação de serviços, em que a cooperativa organiza a relação contratual e administrativa e o foco da operação fica nas entregas e nos resultados. Cada modelo tem regras próprias e precisa ser avaliado de acordo com a atividade e o enquadramento jurídico, mas o desempenho do ramo infraestrutura mostra que a estrutura cooperativa pode sustentar serviços de alta exigência técnica.
