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Expointer Feira

Cooperativas gaúchas movimentam R$ 103 bilhões e ampliam oportunidades na Expointer

  • Marlon Barcelos
  • 8 de setembro de 2026

O cooperativismo do Rio Grande do Sul levou sua dimensão econômica para a 49ª Expointer, realizada entre 29 de agosto e 6 de setembro. Com faturamento de R$ 103 bilhões em 2025, as cooperativas gaúchas aproveitaram a feira para discutir novos mercados, ampliar negócios e aproximar o setor de produtores, lideranças e da sociedade.

Segundo o Anuário do Cooperativismo, o estado reúne 375 cooperativas e 4,4 milhões de cooperados, número equivalente a mais de um terço da população gaúcha. As organizações também mantêm mais de 80,5 mil empregos diretos e estão presentes em 490 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul.

Em 2025, as cooperativas registraram R$ 6,26 bilhões em sobras, enquanto o faturamento apresentou crescimento de 10% em relação ao ano anterior.

A presença do Sistema Ocergs na Expointer reuniu atividades relacionadas a negócios, representação e formação de lideranças. Para o presidente da entidade, Darci Hartmann, a feira também representa uma oportunidade de apresentar à população a presença econômica e social das cooperativas no estado.

“Queremos mostrar para a sociedade da Grande Porto Alegre, mas também de todo o Estado, o quanto somos importantes, o quanto crescemos e o quanto fazemos bem para as comunidades onde estamos atuando”, afirmou.

Novos mercados entram na agenda das cooperativas

Entre os assuntos discutidos durante a Expointer esteve a abertura de novos mercados e os possíveis efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Segmentos como vinhos, carnes, arroz, queijos, leite e embutidos estão entre aqueles que poderão enfrentar maior concorrência no mercado brasileiro, mas também encontrar novas possibilidades de inserção internacional.

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A professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Kelly Bruch destacou que esse cenário exige preparação para atender requisitos técnicos, sanitários e de certificação.

A diferenciação dos produtos e a valorização da origem também aparecem como caminhos para competir em novos mercados.

“Produtos de nicho e de maior valor agregado podem se destacar, uma vez que o consumidor europeu valoriza produtos que carregam história, origem e coletividade, e esse é um diferencial que o cooperativismo gaúcho pode explorar”, explicou Kelly.

Atualmente, cerca de 150 cooperativas gaúchas utilizam o carimbo SomosCoop, identificação que informa ao consumidor a origem cooperativista de produtos e serviços. A ferramenta também pode contribuir para associar os produtos aos territórios e produtores responsáveis por sua origem.

Crédito acompanha oportunidades no agronegócio

O cooperativismo financeiro também esteve presente na feira com iniciativas relacionadas ao crédito e ao planejamento das atividades rurais.

No primeiro mês do Plano Safra 2026/27, o Sicredi liberou R$ 5,6 bilhões em todo o Brasil, crescimento de 6% na comparação com o mesmo período do ciclo anterior.

Foram realizadas 27,2 mil operações em julho, com R$ 2,6 bilhões destinados ao custeio e R$ 1,1 bilhão direcionado à agricultura familiar por meio do Pronaf.

No Rio Grande do Sul, a atuação também envolve o Programa Bônus Mais Leite. Durante a safra 2025/26, o Sicredi respondeu por quase 65% das operações realizadas pelo programa, com 1.985 contratos e mais de R$ 122 milhões em crédito concedido.

A iniciativa atende agricultores familiares da cadeia leiteira e combina recursos de custeio e investimento voltados à continuidade e à qualificação das atividades.

Participação feminina avança nas cooperativas gaúchas

Além dos temas econômicos, a programação colocou em pauta a participação de mulheres e jovens nas estruturas de decisão das cooperativas.

O encontro Elas pelo Coop RS discutiu governança, negócios e liderança feminina e marcou a posse de uma nova coordenação para o comitê estadual.

O número de mulheres na presidência das cooperativas registradas no Rio Grande do Sul passou de 34 em 2025 para 43 em 2026. Apesar do avanço, elas ainda representam 12% das presidências, enquanto os homens ocupam 88% das posições.

Para Luana Elicker, gerente de Marketing da Sicredi Região da Produção e coordenadora do Elas pelo Coop RS, a inclusão de mulheres e jovens passou a integrar de maneira mais estruturada as discussões das organizações.

“O desafio agora é fortalecer esse trabalho para que mais cooperativas incorporem essas temáticas ao planejamento estratégico”, afirmou.

A programação na Expointer também contou com ações do Dia de Cooperar, envolvendo educação financeira, bem-estar, sustentabilidade, cidadania e integração social. Segundo levantamento parcial do Sistema Ocergs, mais de seis mil pessoas foram alcançadas pelas atividades realizadas no estado.

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Fonte: informações do Sicredi e do Sistema Ocergs

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