O DeepSeek chamou a atenção do mercado global de tecnologia no início de 2025 ao lançar seu primeiro chatbot de inteligência artificial, que rapidamente ganhou projeção por combinar desempenho competitivo e custos reduzidos.
Passados alguns meses, no entanto, a startup chinesa enfrenta dificuldades para sustentar o mesmo ritmo de avanço.
O principal ponto de incerteza gira em torno do DeepSeek R2, nova geração do modelo de IA da empresa.
O lançamento estava previsto para maio, mas acabou sendo adiado após o CEO da companhia, Liang Wenfeng, demonstrar insatisfação com os resultados alcançados até o momento. A decisão ampliou as dúvidas sobre a capacidade da empresa de manter competitividade frente a players consolidados do setor.
O adiamento do novo modelo reacendeu comparações com concorrentes de maior porte, como a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, que conta com estrutura financeira e tecnológica significativamente mais robusta. O DeepSeek, por sua vez, opera com uma equipe menor e enfrenta limitações adicionais no acesso a hardware avançado.
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Nesse contexto, uma polêmica recente aumentou a pressão sobre a empresa. No início de dezembro, reportagem do site The Information apontou que o DeepSeek estaria utilizando chips Blackwell, da Nvidia, para treinar seu novo modelo.
Esses processadores estão entre os mais avançados do mercado, mas sua venda para a China é restringida por regras do governo dos Estados Unidos.
A Nvidia afirmou não ter evidências de desvio ou uso irregular de seus chips, mas a informação levantou questionamentos sobre a cadeia de suprimentos da startup chinesa e sobre a sustentabilidade de seus avanços tecnológicos.
Mesmo com atualizações incrementais no modelo original, o DeepSeek não conseguiu repetir o impacto registrado no começo do ano. Lançado em 20 de janeiro, o aplicativo chegou a liderar o ranking da App Store, impulsionado pela promessa de desempenho semelhante ao do ChatGPT, porém com custos significativamente menores.
Desde então, o interesse pelo chatbot perdeu intensidade, refletindo a ausência de novidades mais substanciais.
Analistas apontam que a expectativa agora se concentra no lançamento do DeepSeek R2, previsto para as próximas semanas, como um possível fator de retomada da relevância da empresa na disputa global pela liderança em inteligência artificial.
Até lá, o atraso e as incertezas reforçam a percepção de que manter protagonismo no setor de IA exige não apenas inovação, mas também escala, acesso a infraestrutura e capacidade de execução contínua.
Foto: Saradasish Pradhan/Unsplash

