O Sistema OCB e o Banco Central reuniram lideranças do cooperativismo de crédito nos dias 16 e 17 de abril, durante o seminário “SNCC em transformação”, para debater avanços e desafios do setor em um ambiente regulatório mais complexo.
O encontro ocorreu em um momento de expansão do cooperativismo no país, que já supera R$ 1 trilhão em ativos totais e amplia sua presença em diversas regiões.
Segundo Tânia Zanella, presidente-executiva do Sistema OCB, o momento reflete um novo estágio institucional. “É um momento importante pela maturidade institucional do nosso sistema cooperativo, mas também nesse alinhamento e nesse diálogo constante com o nosso órgão regulador. Esse encontro será fundamental para pensar o futuro da supervisão”, afirmou.
O evento reforçou a importância da articulação entre o cooperativismo e o Banco Central para acompanhar a evolução do setor. O crescimento das cooperativas de crédito tem ampliado a necessidade de alinhamento técnico e institucional.
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Para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o cooperativismo tem contribuído para o equilíbrio do sistema financeiro. “O cooperativismo tem sido fundamental para ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a inclusão financeira no país”, disse.
As discussões destacaram o avanço das estruturas de supervisão e controle, com foco na capacidade das cooperativas de operar em um ambiente mais exigente. A supervisão auxiliar foi apontada como um dos principais instrumentos para sustentar o crescimento do sistema.
Karoline Gesser, diretora de Riscos da Cresol, destacou que o modelo representa uma evolução na governança. “Para demonstrar esse nível de maturidade, é importante olhar a trajetória. No caso da Cresol, houve um movimento de padronização dos estatutos que foi fundamental”, afirmou.
Além disso, foram debatidos mecanismos de integração sistêmica, como estruturas compartilhadas de monitoramento e gestão de riscos.
No segundo dia, o foco foi a evolução das regras de capital e da regulação prudencial. A Resolução Conjunta 14 foi apresentada como marco de atualização normativa.
Segundo Uverlan Rodrigues, do Banco Central, a mudança alinha a exigência de capital às atividades exercidas pelas cooperativas. “A nova abordagem passa a definir o capital mínimo com base na atividade exercida, criando um ambiente mais coerente com a realidade das operações”, explicou.

A medida também altera a forma de tratamento dos riscos, aproximando a regulação da operação prática das instituições.
O avanço tecnológico trouxe novos desafios, especialmente na área de segurança. Dados apresentados no seminário indicam 76 incidentes cibernéticos registrados em 2025.
Aristides Andrade, do Banco Central, destacou a evolução das ameaças. “O sistema mudou com o avanço do PIX e do Open Finance, e o crime organizado mudou junto”, afirmou.
Valdemir Fortes de Sousa, do Decon/Bacen, acrescentou que as fraudes passaram a operar de forma integrada com outros crimes financeiros.
O crescimento do setor também tem levado a movimentos de fusão e incorporação, especialmente entre cooperativas menores, como forma de ganhar escala e eficiência.
Questões de governança também foram abordadas, incluindo a baixa presença feminina em posições de liderança. Segundo Ênio Meinen, do Sicoob, mulheres representam cerca de 45% da base, mas ainda têm participação limitada nos níveis superiores de decisão.
Ao final do encontro, o seminário indicou que o cooperativismo de crédito atravessa um processo de transformação, marcado pela combinação entre expansão, maior exigência regulatória e aumento da complexidade operacional.
Foto: AgênciaBrasil

