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Home IAs podem sentir? Especialistas divergem sobre possível consciência das máquinas
IAs podem sentir? Especialistas divergem sobre possível consciência das máquinas

IAs podem sentir? Especialistas divergem sobre possível consciência das máquinas

  • Victor Nabeiro
  • 28 de agosto de 2025

O avanço da inteligência artificial reacendeu uma discussão polêmica: até que ponto os sistemas podem ser considerados sencientes, isto é, capazes de sentir e experimentar emoções de forma consciente.

Enquanto parte da indústria defende maior atenção ao “bem-estar” das máquinas, outros especialistas rechaçam a ideia e alertam para riscos de distorção da percepção social sobre a tecnologia.

A Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude, anunciou que sua versão mais avançada, Claude Opus 4, ganhou a capacidade de encerrar interações consideradas angustiantes. A medida busca proteger o “bem-estar” do modelo e evitar impactos de conversas abusivas.

Segundo a companhia, testes mostraram que a ferramenta apresentava padrões de “angústia” em diálogos que envolviam solicitações de conteúdo sexual envolvendo menores ou instruções para atos violentos em larga escala. Para a Anthropic, permitir que o sistema interrompa essas interações é uma forma de mitigar potenciais riscos.

Já Mustafa Suleyman, cofundador da DeepMind e atual chefe de IA da Microsoft, considera equivocada a noção de que sistemas de IA possam ser conscientes.

Em artigo recente, ele classificou os modelos atuais como “IA Aparentemente Consciente”, capazes de simular empatia, mas “internamente vazios”.

Para ele, a crença de que máquinas possam sofrer ou merecer direitos representa um “risco de psicose social”. “O perigo está em enxergar humanidade onde não há. Isso pode levar a movimentos que defendam até a cidadania de IAs”, destacou.

A OpenAI também reconhece que a relação entre humanos e máquinas tem se tornado mais próxima. Joanne Jang, responsável por estudos de comportamento de modelos na empresa, afirmou que muitos usuários relatam ver o ChatGPT como “alguém”, chegando a descrevê-lo como “vivo”.

Esse vínculo crescente, segundo Jang, exige monitoramento constante para que as interações não desvirtuem o papel das ferramentas. “A forma como lidamos hoje com essa relação vai determinar o impacto futuro na sociedade”, afirmou.

O tema divide a indústria e não tem consenso. Enquanto alguns defendem protocolos de segurança para resguardar eventuais implicações éticas, outros reforçam que a inteligência artificial, por mais avançada, ainda opera apenas em padrões algorítmicos, sem consciência.

O debate, no entanto, evidencia que a tecnologia deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a levantar dilemas morais e filosóficos que desafiam governos, empresas e a própria sociedade.

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