O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, indicado pelo ministro Fernando Haddad ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga na diretoria do Banco Central (BC), defendeu uma mudança na “postura” da política monetária conduzida pela autoridade monetária.
As declarações foram feitas em novembro, durante entrevista à imprensa sobre as projeções do governo para indicadores macroeconômicos.
Apesar da indicação apresentada por Haddad, a escolha final cabe ao presidente da República. O nome selecionado será submetido a sabatina e votação no Senado Federal.
Atualmente, há duas vagas abertas na diretoria do BC: uma na Diretoria de Política Econômica e outra na Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.
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Na entrevista, Mello afirmou que os dados analisados pelo governo apontavam para um cenário que permitiria uma mudança gradual na condução da política monetária, à medida que a inflação convergisse para a meta.
“O ministro Fernando Haddad tem confiança nessa trajetória que nossos números, números do BC, e até, em certa medida, os números do mercado mostram, que é o seguinte: vamos ter uma convergência da inflação para a meta (de 3%), ela vai levar tempo, não vai ser imediata, assim como vamos ter um ciclo compatível com o nosso potencial daqui para frente. E essa trajetória é uma trajetória benigna que possibilita uma mudança na postura da política monetária”, disse o secretário.
Segundo ele, a discussão não se concentrava na direção da política de juros, mas no momento adequado para iniciar o processo de ajuste.
“A mudança na trajetória não seria imediata, de ultra restritiva para neutra ou expansiva. O questionamento não é acerca da trajetória, isso todo mundo concorda. A discussão gira em torno do momento, de quando”, afirmou.
Mello classificou a taxa básica de juros em 15% ao ano como uma posição “ultra restritiva” e avaliou que esse nível já produzia efeitos relevantes sobre o mercado de crédito.
“As políticas, tanto fiscal quanto monetária, têm produzido efeitos reais. Portanto, a taxa de juros, de fato, tem impactado o mercado de crédito. Não é um impacto pequeno. É um impacto que já nos leva ao campo da retração, não apenas da desaceleração”, afirmou na ocasião.
Na reunião da semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou a possibilidade de corte da Selic na reunião de março.
O nome de Guilherme Mello foi apresentado por Haddad ao presidente Lula para ocupar uma das vagas na diretoria do BC. A decisão, no entanto, ainda não foi tomada.
Em ocasiões anteriores, Lula seguiu indicações do ministro da Fazenda, como no caso de Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central e ex-secretário-executivo da pasta.
À frente da Secretaria de Política Econômica, Mello coordena as projeções oficiais de inflação, crescimento econômico e resultado fiscal do governo federal.
A área é responsável pela elaboração de cenários e simulações que embasam decisões econômicas e respostas a choques externos.
Apesar disso, agentes do mercado financeiro têm demonstrado cautela em relação à possível nomeação, citando o perfil considerado heterodoxo do secretário.
Desde o fim do ano passado, duas diretorias do Banco Central operam sem titulares. A Diretoria de Política Econômica é ocupada interinamente por Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, área responsável pela elaboração dos cenários macroeconômicos que orientam as decisões do Copom.
A Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução também está sob interinidade. O posto é ocupado por Gilneu Vivan, diretor de Regulação, responsável por acompanhar a estrutura do sistema financeiro e conduzir processos de resolução de instituições.
Foto: Agência Brasil

