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Home Integração de dados se torna novo desafio da eficiência no agronegócio
IA no agronegocio

Integração de dados se torna novo desafio da eficiência no agronegócio

  • Marlon Barcelos
  • 4 de fevereiro de 2026

A digitalização do agronegócio brasileiro avançou de forma acelerada na última década, mas o excesso de plataformas e sistemas desconectados passou a criar um novo gargalo para produtores e cooperativas: a fragmentação digital.

Embora 98% das propriedades rurais já tenham acesso à internet, segundo a 9ª Pesquisa ABMRA, Hábitos do Produtor Rural, transformar dados em decisões rápidas e integradas ainda é um desafio no campo.

O uso de aplicativos, sensores, sistemas de gestão, telemetria e ferramentas digitais se intensificou, com o WhatsApp consolidado como principal canal de consulta para decisões de negócio, utilizado por 96% dos produtores.

No entanto, a multiplicação dessas soluções, muitas vezes sem interoperabilidade, dificulta a consolidação das informações e a visão global da operação.

Segundo Mayra Theis, líder de Agrobusiness da PwC Brasil, a fragmentação digital já impacta propriedades rurais de diferentes escalas.

“A fragmentação ocorre quando soluções tecnológicas não se comunicam entre si, criando silos de informação. Hoje, é comum encontrar de cinco a 15 ferramentas convivendo sem integração consistente, tanto em pequenas propriedades quanto em grandes operações”, afirma.

Esse cenário é resultado da rápida expansão de soluções especializadas, que vão do manejo do solo à logística e rastreabilidade, sem que houvesse, no mesmo ritmo, a consolidação de padrões de integração entre plataformas.

A falta de integração compromete a fluidez da operação e a tomada de decisão. De acordo com Mayra, a ausência de uma visão holística da propriedade pode atrasar decisões críticas, como ajustes de irrigação ou aplicação de insumos, além de gerar retrabalho, custos adicionais e maior risco de erros operacionais.

No ambiente cooperativo, o desafio também se reflete no atendimento aos associados. Para Alex De Marco, gerente de assistência técnica da Cooperalfa, o problema não está na quantidade de dados disponíveis, mas na forma como são utilizados.

“Não existe excesso de informação. Existe uma grande disponibilidade de ferramentas que precisam ser melhor aproveitadas para que os dados gerem decisões mais assertivas no campo”, avalia.

Diante desse cenário, as cooperativas têm se consolidado como agentes centrais na organização e interpretação dos dados. Na Cooperalfa, a integração ocorre a partir de plataformas corporativas, como sistemas de CRM e ferramentas de Business Intelligence (BI).

“A Cooperalfa utiliza o CRM e o BI para auxiliar na tomada de decisões estratégicas da cooperativa, com base em dados”, explica De Marco.

Segundo o diretor administrativo e gerente de TI, Gilberto Fontana, embora não exista ainda uma centralização completa de dados acessível diretamente ao produtor, as informações relativas ao associado são organizadas internamente pela cooperativa.

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O principal canal de acesso do produtor é o aplicativo Cooperalfa, que reúne dados operacionais como cotações agrícolas, relatórios financeiros, informações sobre venda da produção e conteúdos institucionais.

O uso estruturado das informações já apresenta resultados práticos. Um exemplo é o programa FERTIALFA, de agricultura de precisão, criado em 2007.

A iniciativa coleta dados no campo a partir de análises técnicas e orienta decisões como a aplicação racional de fertilizantes.

“Com base nessas informações, o produtor consegue ajustar o uso de insumos, aplicando menos fertilizante em áreas que não exigem a mesma intensidade”, explica Fontana. O resultado é aumento de produtividade, redução de custos e menor desperdício.

Para avançar, especialistas apontam que o desafio vai além da tecnologia e envolve mudança cultural, governança e gestão.

“É preciso integrar dados com foco em resultados, mapear decisões críticas, eliminar reentradas de informação, reduzir o número de telas e entregar a recomendação certa no momento certo”, resume Mayra Theis.

A tendência para os próximos anos envolve maior interoperabilidade entre sistemas, fortalecimento da governança digital, conectividade resiliente e capacitação contínua de produtores e equipes técnicas.

A fragmentação digital reflete a velocidade da modernização do campo, mas também evidencia a necessidade de amadurecimento do uso das tecnologias.

Nesse processo, as cooperativas desempenham papel central ao transformar dados dispersos em orientação prática, conectar produtores às ferramentas mais relevantes e garantir que a informação gere valor real.

No contexto atual, a eficiência no agronegócio tende a ser definida menos pelo volume de dados coletados e mais pela capacidade de integrá-los. A agricultura que se destaca não é apenas a mais digital, mas a mais integrada.

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