A crescente adoção da inteligência artificial no mercado de trabalho tem ampliado a preocupação dos americanos sobre o futuro do emprego. Levantamento realizado pela Reuters/Ipsos mostra que 53% dos entrevistados acreditam que a tecnologia pode provocar perda de postos de trabalho em suas próprias residências.
A pesquisa, realizada com 4.531 adultos nos Estados Unidos, também revelou que a preocupação com o avanço da IA vai além do mercado de trabalho. Ao todo, 73% dos participantes afirmaram estar apreensivos com os impactos da tecnologia no cotidiano.
Os dados refletem um cenário de transformações aceleradas, impulsionado pela expansão de ferramentas de inteligência artificial em empresas, serviços e atividades profissionais.
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Preocupação atravessa diferentes perfis da população
Segundo o levantamento, o receio em relação à substituição de trabalhadores por sistemas automatizados aparece de forma relativamente uniforme entre diferentes faixas etárias, gêneros e níveis de escolaridade.
Entre os entrevistados:
- 53% afirmam temer a perda de empregos em suas famílias devido à IA;
- 37% dizem não enxergar esse risco como uma preocupação;
- 10% não souberam responder ou preferiram não opinar.
A pesquisa também identificou diferenças entre grupos políticos. Entre os eleitores democratas, 61% demonstram preocupação com a substituição de empregos pela tecnologia. Entre os republicanos, o índice é de 47%.

Demissões e reestruturações ampliam debate
O levantamento foi divulgado em um momento em que diversas empresas vêm associando mudanças organizacionais ao uso crescente de inteligência artificial.
Entre os casos recentes está a Intuit, que anunciou cortes equivalentes a 17% de sua força de trabalho global enquanto ampliava investimentos em iniciativas ligadas à IA.
O tema também ganhou destaque em eventos públicos. Durante uma cerimônia de formatura na Universidade do Arizona, comentários do ex-presidente executivo do Google, Eric Schmidt, sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho provocaram reações negativas de parte do público.
Além das discussões sobre emprego, especialistas têm alertado para o uso da tecnologia em áreas sensíveis, como comunicação, entretenimento, produção de conteúdo e aplicações militares.
Uso da IA já cresce entre profissionais
Apesar das preocupações, a pesquisa mostra que a inteligência artificial já faz parte da rotina de muitos americanos.
Entre pessoas com ensino superior, metade afirmou utilizar ferramentas de IA regularmente. Entre os que não possuem diploma universitário, o índice foi de 34%. Na população geral, 40% disseram fazer uso frequente dessas tecnologias.
Ferramentas como ChatGPT, da OpenAI, e soluções corporativas desenvolvidas por empresas como a Anthropic vêm sendo incorporadas tanto em atividades profissionais quanto em tarefas pessoais.
O avanço dessas aplicações já gera relatos de mudanças concretas no mercado. Uma profissional freelancer entrevistada afirmou ter perdido contratos e acredita que a substituição por ferramentas automatizadas possa ter influenciado a redução da demanda por seus serviços.
Na área da saúde mental, profissionais também relatam preocupação com pacientes que recorrem à inteligência artificial entre sessões de atendimento, levantando debates sobre limites, confiabilidade e supervisão humana.
Impactos ainda cercados de incertezas
Embora o receio com a automação esteja crescendo, especialistas destacam que os efeitos da inteligência artificial sobre o emprego ainda permanecem incertos.
Ao mesmo tempo em que algumas funções passam por processos de automatização, novas demandas relacionadas à tecnologia continuam surgindo em diferentes setores da economia.
O levantamento da Reuters/Ipsos indica que, para uma parcela significativa da população americana, a inteligência artificial já deixou de ser apenas uma inovação tecnológica e passou a representar um fator relevante de adaptação e transformação no mercado de trabalho.
Foto: Magnific

