O cenário eleitoral de 2026 também reuniu nomes apresentados como alternativas de centro à polarização entre esquerda e direita. No levantamento inicial, Augusto Cury e Joaquim Barbosa aparecem nesse grupo, embora a situação dos dois tenha mudado durante a formação das candidaturas.
Augusto Cury foi anunciado pelo Avante como pré-candidato à Presidência, com um projeto concentrado em educação, saúde mental, empreendedorismo e gestão pública. Até a atualização desta reportagem, porém, não foi localizada uma publicação oficial confirmando sua escolha em convenção partidária.
Joaquim Barbosa chegou a ser anunciado pela Democracia Cristã como pré-candidato, mas informou ao partido, em julho, que não pretendia disputar a Presidência. A tendência divulgada naquele período era de que a legenda permanecesse neutra na eleição presidencial.
Embora o termo “Centrão” seja usado com frequência no debate político, ele não é sinônimo de centro ideológico. “Centrão” costuma identificar um conjunto de partidos e lideranças com atuação pragmática no Congresso, que pode apoiar governos de diferentes orientações. Por esse motivo, esta matéria utiliza a expressão “nomes de centro” para tratar do posicionamento político dos possíveis candidatos.
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Augusto Cury foi anunciado como pré-candidato pelo Avante
O escritor e psiquiatra Augusto Cury foi apresentado pelo Avante como pré-candidato à Presidência da República em abril de 2026.
O lançamento público ocorreu em maio, durante um evento realizado em Belo Horizonte. Na ocasião, Cury apresentou diretrizes relacionadas à educação, à saúde mental, à gestão pública, ao empreendedorismo e à participação de mulheres no Supremo Tribunal Federal.
O Avante apresentou o nome do escritor como uma alternativa à polarização política. Cury afirmou que pretendia conduzir uma campanha baseada em projetos e sem ataques pessoais.
Até a atualização desta matéria, entretanto, não foi encontrada uma confirmação oficial da escolha de Cury em convenção partidária. Por isso, a denominação mais cuidadosa continua sendo pré-candidato anunciado pelo Avante.
Histórico profissional e atuação pública
Augusto Jorge Cury nasceu em Colina, no interior de São Paulo, e concluiu a graduação em Medicina em 1984, na Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto.
Antes de ingressar na política partidária, desenvolveu sua trajetória como médico, escritor, conferencista e autor de obras voltadas à saúde emocional, às relações humanas e à educação. Também atuou como perito em psiquiatria judicial e como psiquiatra ligado à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.
Cury tornou-se conhecido principalmente por livros de desenvolvimento pessoal e pela chamada Teoria da Inteligência Multifocal, apresentada pelo autor como uma abordagem para compreender a construção dos pensamentos e a gestão das emoções.
Sua produção inclui obras utilizadas em palestras, cursos e projetos educacionais. Essa experiência, no entanto, ocorreu predominantemente fora da administração pública e da política institucional.
Experiência política
A eleição de 2026 representa a primeira tentativa de Augusto Cury de ingressar em um cargo eletivo de alcance nacional.
Antes de ser anunciado pelo Avante, o escritor manteve conversas com dirigentes de diferentes partidos. Ele declarou ter se reunido com nomes como Michel Temer, Gilberto Kassab, Renata Abreu, Aécio Neves, Aldo Rebelo e dirigentes de outras correntes políticas.
Cury não exerceu mandato parlamentar, função ministerial, governo estadual ou cargo eletivo municipal. Assim, sua experiência deve ser apresentada como uma trajetória profissional e social que passou a ser projetada para a política, e não como um histórico de administração pública.
Principais propostas apresentadas
Durante o lançamento da pré-candidatura, Augusto Cury concentrou seu discurso em saúde mental, educação, empreendedorismo e redução da polarização.
Entre as diretrizes apresentadas estão:
- criação de escolas de empreendedorismo;
- inclusão de programas relacionados à saúde emocional na educação;
- valorização de professores e profissionais das forças de segurança;
- ações de combate à insegurança alimentar;
- adoção de uma gestão pública descrita como humanizada;
- estímulo ao diálogo entre diferentes campos políticos;
- ampliação da presença feminina no Supremo Tribunal Federal.
Cury declarou que pretendia criar 10 mil escolas de empreendedorismo em escolas públicas, comunidades, igrejas e outros espaços sociais. A implementação, o custo e a estrutura institucional da proposta ainda dependeriam do programa de governo e das medidas legislativas ou administrativas apresentadas pela eventual candidatura.
As manifestações divulgadas até o momento apresentam diretrizes gerais. Uma análise mais detalhada dependerá do programa entregue à Justiça Eleitoral, caso o nome seja confirmado e o registro seja solicitado.

Qual é a posição política de Augusto Cury?
Augusto Cury procura se apresentar como um nome de centro, com discurso contrário à polarização.
Sua pré-campanha não foi estruturada a partir de uma identificação exclusiva com a esquerda ou com a direita. O escritor mantém diálogo com políticos de campos distintos e afirma defender uma gestão baseada em projetos, desenvolvimento humano e conciliação.
Essa classificação não significa ausência de posições políticas. Temas como empreendedorismo, políticas sociais, atuação estatal, segurança pública e indicações para o Judiciário precisarão ser avaliados a partir das propostas concretas apresentadas durante a campanha.
Joaquim Barbosa chegou a ser anunciado pela Democracia Cristã
O ex-ministro Joaquim Barbosa foi apresentado pela Democracia Cristã como pré-candidato à Presidência em maio de 2026.
A indicação substituiu o ex-ministro Aldo Rebelo, que havia sido lançado anteriormente pela legenda. Segundo o presidente do partido, a mudança ocorreu após a direção considerar que a primeira pré-candidatura não havia alcançado desempenho suficiente nas pesquisas.
A escolha de Barbosa provocou divergências internas, porque uma ala do partido ainda defendia a permanência de Aldo Rebelo. A direção da DC, porém, anunciou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal como o novo nome da legenda.
Em julho, Joaquim Barbosa comunicou ao partido que não pretendia participar da disputa. Segundo informações divulgadas naquele momento, ele avaliou que a DC não possuía estrutura suficiente para sustentar uma campanha presidencial. A direção ainda pretendia tentar convencê-lo até a convenção, mas a tendência era de neutralidade do partido na disputa pelo Palácio do Planalto.
Dessa maneira, Joaquim Barbosa deve aparecer na matéria como nome que chegou a ser anunciado, mas sinalizou desistência antes da definição partidária.
Histórico de atuação profissional e pública
Joaquim Benedito Barbosa Gomes nasceu em Paracatu, Minas Gerais, e construiu sua carreira no serviço público e no meio jurídico.
Antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal, exerceu funções no Ministério das Relações Exteriores, no Serviço Federal de Processamento de Dados e na Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde. Também integrou o Ministério Público Federal entre 1984 e 2003.
Em 2003, foi indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no STF. Após a aprovação pelo Senado, tomou posse como ministro em junho daquele ano.
Barbosa tornou-se o primeiro ministro negro a assumir a Presidência do Supremo Tribunal Federal. Ocupou o comando do STF e do Conselho Nacional de Justiça a partir de novembro de 2012.
Ele deixou a Corte em 2014, após solicitar aposentadoria.
Principais atuações no Judiciário
A atuação de maior projeção de Joaquim Barbosa ocorreu na Ação Penal 470, conhecida como processo do Mensalão.
Como relator, ele conduziu a apresentação do caso ao plenário do STF. O processo envolveu antigos dirigentes partidários, parlamentares, empresários e agentes públicos acusados de integrar um sistema de transferência de recursos e sustentação política durante o primeiro governo Lula.
O julgamento resultou em condenações e absolvições, conforme a situação de cada réu, e tornou Barbosa uma figura nacionalmente conhecida.
Durante sua passagem pelo Supremo, também participou de julgamentos sobre direitos fundamentais, relações trabalhistas, administração pública, sistema eleitoral e responsabilidade de agentes políticos.
Na Presidência do Conselho Nacional de Justiça, atuou em debates sobre funcionamento do Judiciário, transparência, produtividade dos tribunais e responsabilização disciplinar de magistrados.
Experiência política e eleitoral
Apesar da projeção pública, Joaquim Barbosa nunca exerceu cargo eletivo.
Em 2018, filiou-se ao PSB e chegou a ser considerado um possível candidato à Presidência. Posteriormente, desistiu de participar daquela eleição.
Em 2026, a movimentação se repetiu. Barbosa filiou-se à Democracia Cristã, foi anunciado como pré-candidato, mas comunicou que não pretendia seguir na disputa.
Sua trajetória está ligada principalmente ao sistema de Justiça, e não à administração de governos ou à atuação parlamentar.
Quais posições foram associadas a Joaquim Barbosa?
Ao anunciar o ex-ministro, a Democracia Cristã procurou vincular sua possível candidatura a temas como ética pública e reforma do Judiciário.
Por não ter consolidado uma campanha nem apresentado um programa de governo completo, não é possível atribuir a Barbosa uma plataforma presidencial detalhada para 2026.
Entre os assuntos historicamente associados a sua atuação pública estão:
- combate à corrupção;
- fortalecimento e reforma das instituições judiciais;
- defesa da responsabilização de agentes públicos;
- redução da desigualdade racial;
- aperfeiçoamento da administração pública;
- independência das instituições;
- crítica à polarização política.
Esses temas representam posições públicas gerais. Não substituem propostas formais sobre economia, saúde, educação, segurança, política externa e outras atribuições da Presidência.
Qual é a posição política de Joaquim Barbosa?
Joaquim Barbosa costuma ser situado no centro político, embora algumas de suas posições possam ser aproximadas de diferentes campos conforme o assunto.
Sua trajetória não está vinculada a uma militância partidária longa. Ele foi indicado ao STF por um governo do PT, filiou-se ao PSB em 2018 e ingressou na Democracia Cristã em 2026.
A classificação como centrista considera principalmente sua atuação institucional, seu discurso sobre ética pública e a tentativa de se apresentar como alternativa à polarização. Isso não significa que todas as suas posições estejam igualmente distantes da esquerda e da direita.
O centro ficou sem candidatura confirmada no levantamento inicial
Entre os dois nomes apresentados inicialmente como representantes do centro, nenhum pode ser tratado, até esta atualização, como candidato presidencial confirmado.
Augusto Cury continuava sendo apresentado nas fontes localizadas como pré-candidato do Avante, mas não foi encontrada uma confirmação pública de sua escolha em convenção.
Joaquim Barbosa, por sua vez, informou que não pretendia disputar a eleição. A Democracia Cristã avaliava permanecer neutra, sem retomar a candidatura de Aldo Rebelo.
O cenário ainda depende dos pedidos de registro. As convenções partidárias foram autorizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, e os partidos, federações ou coligações têm até as 19h de 15 de agosto para encaminhar os registros. As chapas presidenciais são analisadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Nota editorial
Esta reportagem utiliza a expressão “centro político”, e não “Centrão”, porque os conceitos não possuem o mesmo significado.
A classificação ideológica serve para organizar o cenário e contextualizar as posições dos nomes apresentados. Ela não indica apoio editorial nem significa que Augusto Cury e Joaquim Barbosa compartilhem as mesmas propostas.
O texto também diferencia críticas políticas, divergências institucionais, disputas partidárias, investigações, denúncias e condenações. A ausência de condenações ou investigações relevantes localizadas foi informada sem criar acusações para igualar artificialmente os perfis.
As informações refletem a situação consultada até 6 de agosto de 2026. Como o prazo para os pedidos de registro termina em 15 de agosto, a composição definitiva da eleição ainda pode ser alterada.

