Brasil e Estados Unidos iniciaram negociações para um acordo voltado às cadeias de suprimento de minerais críticos, considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia e defesa.
As tratativas ocorrem, no entanto, em meio a ruídos diplomáticos entre os dois países. Segundo o encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, já existe uma proposta em nível federal.
“Temos uma proposta para um acordo em nível federal. Estamos discutindo, tivemos algumas conversas preliminares, mas ainda estamos esperando”, afirmou após a assinatura de um acordo paralelo com o governo de Goiás.
O tema foi discutido durante o Fórum Brasil-Estados Unidos sobre Minerais Críticos, realizado em São Paulo, com participação de empresas como Citi e Anglo American, e organizado com apoio da Amcham Brasil.
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Os Estados Unidos buscam ampliar o acesso a minerais críticos, especialmente às chamadas terras raras, hoje dominadas por cadeias produtivas ligadas à China.
Nesse contexto, o Brasil é visto como um potencial destino de bilhões de dólares em investimentos. Até o momento, cerca de US$ 600 milhões já foram aplicados por instituições como a Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (DFC) e o banco EXIM.
A embaixada norte-americana também mapeou mais de 50 projetos de mineração no Brasil com potencial para integrar essa estratégia global de diversificação de fornecedores.
Apesar do interesse econômico, o avanço das negociações tem sido impactado por tensões recentes entre os governos.

Autoridades brasileiras deixaram de participar do fórum após um episódio envolvendo um representante dos EUA que solicitou visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. O gesto foi interpretado como possível interferência em assuntos internos, e a entrada do enviado foi barrada.
Além disso, uma proposta de memorando enviada pelos EUA em fevereiro gerou desconforto ao conter erros, incluindo a referência a outro país, segundo fontes ouvidas pela Reuters. O documento foi posteriormente corrigido.
Uma possível reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, também foi adiada em meio ao aumento das tensões internacionais e ao próprio atrito bilateral.
Outro ponto de tensão envolve a decisão dos EUA de firmar um acordo diretamente com o estado de Goiás, governado por Ronaldo Caiado, adversário político de Lula.
Autoridades federais interpretaram a iniciativa como uma tentativa de contornar o governo central.
O acordo prevê cooperação em áreas como:
- mapeamento do potencial mineral
- conexão com tecnologias norte-americanas
- aprimoramento regulatório
Goiás possui reservas relevantes de lítio e nióbio e abriga a Serra Verde, única empresa que produz terras raras comercialmente no Brasil, com apoio de investidores dos EUA.
O plano inclui ainda o desenvolvimento de capacidades completas de processamento, como separação de terras raras, metalização, produção de ligas e fabricação de ímãs permanentes.
O avanço no processamento interno desses minerais é visto como prioridade pelo governo brasileiro, que busca agregar valor à produção nacional e reduzir a dependência de exportação de matéria-prima bruta.
Mesmo com os entraves políticos, as negociações seguem em andamento com o escritório do representante de Comércio dos EUA e podem avançar nos próximos meses, dependendo do ambiente diplomático entre os países.
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