Um drone autônomo equipado com inteligência artificial e sensores térmicos pode ajudar equipes de resgate a encontrar pessoas perdidas em regiões de difícil acesso, além de avaliar seu estado físico em tempo real.
Desenvolvido por pesquisadores da Kennesaw State University, na Geórgia (EUA), o equipamento reúne câmeras infravermelhas e tecnologia avançada de análise de dados para apoiar operações em ambientes complexos, como trilhas, montanhas e áreas de mata fechada.
Segundo Adeel Khalid, líder do AERO Lab, laboratório dedicado a sistemas de voo e robótica, o drone consegue identificar a localização de vítimas, verificar se estão conscientes e estimar a temperatura corporal, enviando essas informações diretamente às equipes de resgate.
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“O modelo de IA avalia se a pessoa está consciente ou inconsciente e identifica temperaturas anormais que podem indicar estresse térmico, hipotermia ou outras complicações físicas, ou morte, todas informações vitais para uma equipe de busca e resgate”, afirmou o pesquisador.
O avanço da solução acompanha o aumento de incidentes em áreas naturais. Em Taiwan, os pedidos de resgate em montanhas cresceram 36% nos últimos seis anos. No Reino Unido, entre 2019 e 2024, houve alta de 24% nas operações em trilhas, que passaram a ocorrer diariamente pela primeira vez.
No Brasil, dados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro indicam crescimento de 66,7% nos resgates em 2025, em comparação com o ano anterior, associado à maior procura por ecoturismo.
Em Minas Gerais, os desaparecimentos em trilhas aumentaram 47% em apenas um mês, em junho do ano passado.
Khalid destacou que o uso de tecnologias como essa pode tornar as operações mais eficientes, principalmente em cenários com clima adverso ou vegetação densa.
A possibilidade de identificar previamente o estado da vítima também permite que as equipes se preparem melhor para o atendimento.
Embora drones já sejam utilizados em operações de busca, ainda há limitações na identificação de pessoas em ambientes complexos.
A integração com inteligência artificial busca superar esses desafios, com sensores mais leves e capacidade de análise mais precisa, inclusive durante a noite.

O projeto também prevê novas funcionalidades, como reconhecimento de gritos de socorro, melhoria na qualidade de imagens térmicas e aumento da autonomia de voo, que pode chegar a até 14 horas.
Outra frente de desenvolvimento envolve o uso coordenado de múltiplos drones, capazes de compartilhar dados e imagens em tempo real, ampliando a cobertura das buscas e a eficiência das operações.
Foto:Freepik

