A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), de Minas Gerais, realizou o primeiro embarque brasileiro de café especial naturalmente descafeinado para o Japão, abrindo um novo nicho de mercado para cafés premium produzidos no país.
O lote inédito soma 8,4 toneladas, equivalentes a 140 sacas de 60 kg, e já está no Porto de Santos aguardando embarque para o mercado japonês. O produto será recebido pela torrefadora e cafeteria japonesa Cerrad Coffee & Company, sediada em Tóquio.
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Segundo a gerente comercial de cafés especiais da Expocacer, Sandra Moraes, trata-se de um marco para a cafeicultura nacional.
“É um feito histórico para o Brasil, que já exporta uma pequena quantia de cafés descafeinados do tipo commodity. Agora, vai enviar um café especial sem cafeína que tem uma pontuação de 84”, destacou.
Mercado japonês amplia demanda por cafés especiais
O Japão vem ampliando a procura por cafés brasileiros certificados e de alta qualidade, especialmente produtos com diferenciais ligados a origem, rastreabilidade e perfil sensorial.
O lote exportado foi desenvolvido sob demanda dos japoneses e utiliza um café da variedade bourbon amarelo, produzido na Fazenda Dona Neném, em Presidente Olegário (MG), no Cerrado Mineiro.
O produtor responsável é Eduardo Pinheiro Campos, que cultiva cafés especiais em uma propriedade com cerca de 1.400 hectares dedicados tanto à produção quanto à preservação ambiental.
O café apresenta notas descritas como:
- Floral
- Melaço
- Mel
- Tangerina
- Laranja
- Cereja
Além de acidez cítrica, corpo aveludado e finalização prolongada.
Descafeinação sem solventes químicos
A retirada da cafeína foi realizada em Sooretama (ES), na planta da DM Descafeinadores do Brasil, por meio do método Mountain Water, considerado premium por utilizar apenas água e compostos naturais do próprio café.
O processo dispensa solventes químicos e busca preservar aroma, sabor e características sensoriais do grão.
Na prática, os grãos passam por:
- Pré-limpeza
- Hidratação
- Extração controlada da cafeína
- Secagem
- Polimento
- Embalagem
Segundo a Expocacer, o desenvolvimento comercial desse produto levou cerca de três anos.
Segmento cresce acima da média
A cooperativa afirma que o consumo de cafés descafeinados especiais cresce entre 6% e 7% ao ano no mundo, impulsionado por consumidores que desejam reduzir a ingestão de cafeína sem abrir mão da experiência sensorial do café premium.

O diretor comercial da Expocacer, Italo Henrique, destacou que o movimento inicial é mais estratégico do que focado em escala.
“A exportação de café especial ‘decaf’ ao Japão, neste primeiro momento, é mais voltada à construção de mercado do que focada em escala imediata”, explicou.
Os números chamam atenção. O embarque de 8,4 toneladas supera amplamente os volumes totais exportados pelo Brasil de café descafeinado não torrado nos últimos anos.
Segundo dados do Comex Stat:
- O Brasil exportou 832 kg do produto em 2025
- E 698 kg em 2024
De acordo com a cooperativa, o lote enviado ao Japão é:
- 910% superior ao total exportado em 2025
- 1.100% superior ao volume de 2024
Japão se consolida como cliente estratégico
O mercado japonês está entre os mais exigentes do mundo em relação à qualidade do café, avaliando desde cultivo até pós-colheita.
Em 2025, segundo o Cecafé, o Japão importou 2,647 milhões de sacas de café brasileiro, alta de 19,4% em relação a 2024, tornando-se o quarto principal destino das exportações nacionais.
Para a Expocacer, o avanço do descafeinado especial mostra que o mercado começa a enxergar o produto não apenas como um nicho, mas como uma categoria premium com espaço para:
- Sustentabilidade
- Origem certificada
- Relacionamento de longo prazo
- Valor agregado
Hoje, a cooperativa reúne cerca de 760 cooperados distribuídos em 55 municípios do Cerrado Mineiro.
Foto: Magnific

