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Home Cooperativas de saúde atendem 37,2% dos beneficiários e apresentam menor risco de insolvência
Atendimento de uma cooperativa de saude

Cooperativas de saúde atendem 37,2% dos beneficiários e apresentam menor risco de insolvência

  • Marlon Barcelos
  • 4 de setembro de 2026

As cooperativas de saúde apresentam, em média, uma probabilidade de insolvência 4,8 pontos percentuais menor do que outras operadoras da saúde suplementar brasileira.

O resultado faz parte de um estudo publicado em 2026 na revista científica Annals of Public and Cooperative Economics, que analisou dados de 684 operadoras ao longo de dez anos.

A pesquisa “Além da maximização do lucro: o efeito da governança cooperativa sobre o risco de insolvência na saúde suplementar brasileira” foi desenvolvida por Thiago de Oliveira Victorino, Arthur Gomes Nery e Rodrigo Lima Rangel, pesquisadores do Sistema OCB.

O levantamento acompanhou operadoras de planos médico-hospitalares entre 2014 e 2023, utilizando dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ao todo, foram consideradas mais de 6 mil observações durante o período.

Os resultados ganham dimensão diante da presença das cooperativas no setor. Segundo o AnuárioCoop 2026, o ramo Saúde encerrou 2025 com 695 cooperativas, 304,3 mil cooperados e 162,3 mil empregados. No mesmo período, essas organizações registraram R$ 130,6 bilhões em ingressos e R$ 81,9 bilhões em ativos.

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Governança cooperativa está associada a menor risco

Para comparar os diferentes modelos de organização, os pesquisadores analisaram indicadores como endividamento, liquidez, margem líquida, despesas administrativas, sinistralidade e retorno sobre o patrimônio.

A insolvência foi caracterizada no estudo por situações como patrimônio líquido negativo ou incapacidade do resultado operacional de cobrir as despesas financeiras.

Mesmo após o controle desses indicadores, a estrutura cooperativa continuou associada a uma menor probabilidade de insolvência. No modelo referente a 2023, a diferença média chegou a 4,8 pontos percentuais na comparação com operadoras não cooperativas.

O comportamento também foi observado durante o período da pandemia, quando o mercado de saúde esteve submetido a pressões adicionais.

Entre as possíveis explicações apontadas pelos autores estão características da própria governança cooperativa, como compartilhamento de responsabilidades financeiras, participação dos cooperados nas decisões estratégicas e menor propensão à tomada excessiva de riscos.

O estudo também considera que mecanismos de coordenação e apoio entre organizações inseridas em sistemas cooperativos estruturados em rede podem contribuir para reduzir vulnerabilidades financeiras.

Eficiência operacional ganha peso entre cooperativas

A pesquisa também identificou diferenças nos fatores relacionados ao risco de insolvência.

Nas operadoras não cooperativas, indicadores tradicionais de rentabilidade e retorno financeiro apresentam maior peso. Entre as cooperativas, os resultados mostram maior relevância de fatores relacionados à eficiência operacional, ao equilíbrio das despesas assistenciais e ao controle dos gastos administrativos.

Um dos indicadores analisados é a sinistralidade, que representa quanto das receitas dos planos é utilizado para cobrir despesas assistenciais. Segundo o estudo, tanto níveis muito elevados quanto muito baixos podem estar associados ao aumento do risco financeiro.

O endividamento também aparece entre os principais pontos de atenção e passa a aumentar de maneira mais intensa a probabilidade de insolvência a partir de determinados níveis.

As despesas administrativas seguem uma lógica semelhante. Gastos relacionados à qualificação, pessoal, prevenção a fraudes e adequação regulatória podem contribuir para a operação, enquanto níveis excessivos podem representar perda de eficiência e maior pressão financeira.

Cooperativas atendem 37,2% dos beneficiários de planos médicos

A diferença identificada pelo estudo está inserida em um segmento com participação expressiva na saúde suplementar brasileira.

De acordo com o AnuárioCoop 2026, as cooperativas atendem 37,2% dos beneficiários de planos médicos do país e 13,1% dos usuários de planos odontológicos. Em 2025, as 695 cooperativas do ramo Saúde registraram:

  • R$ 130,6 bilhões em ingressos;
  • R$ 81,9 bilhões em ativos;
  • cerca de R$ 6,5 bilhões em sobras;
  • 304,3 mil cooperados;
  • 162,3 mil empregados.

Apesar da menor probabilidade de insolvência observada na pesquisa, os resultados não eliminam a necessidade de acompanhamento financeiro. Endividamento, despesas administrativas, sinistralidade e eficiência operacional permanecem entre os indicadores relevantes para identificar situações de maior vulnerabilidade.

O estudo indica, portanto, que as características da governança cooperativa estão associadas a uma maior resiliência financeira no setor, ao mesmo tempo em que reforça a importância do equilíbrio operacional para a manutenção desse desempenho.

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Marlon Barcelos

Foto: ChatGPT

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