A Anthropic anunciou a implementação de uma marca d’água invisível nos textos produzidos pelo Claude. O recurso incorpora um sinal legível por máquina ao conteúdo para permitir a identificação da participação da inteligência artificial, sem alterar a leitura ou a qualidade das respostas.
A tecnologia será aplicada aos modelos lançados a partir de 2 de agosto e funcionará no nível do próprio modelo. Dessa forma, a identificação acompanhará conteúdos gerados pelo Claude independentemente do serviço utilizado, incluindo o chatbot, a API e ferramentas como o Claude Code.
Segundo a Anthropic, a marca foi desenvolvida para permanecer no conteúdo mesmo depois de operações como copiar e colar. Algumas edições também poderão preservar o sinal, embora modificações mais profundas ou traduções possam eliminá-lo.
A empresa ressalta que a presença da identificação não significa necessariamente que um conteúdo tenha sido inteiramente produzido pelo Claude. A utilização da ferramenta para revisar ou traduzir um trecho, por exemplo, também poderá deixar o sinal.
Os modelos anteriores à implementação ainda não contam com o recurso. A Anthropic informou que trabalha para ampliar posteriormente a marcação para essas versões.
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Imagens também terão identificação
A iniciativa não ficará restrita aos textos. Imagens processadas pelo Claude também receberão uma identificação capaz de registrar a participação da ferramenta e indicar possíveis alterações realizadas posteriormente no arquivo.
A implementação ocorre em meio às novas exigências de transparência estabelecidas pelo AI Act da União Europeia, que entraram em vigor em 2 de agosto. As regras determinam que provedores de inteligência artificial generativa adotem mecanismos para tornar conteúdos sintéticos detectáveis e legíveis por máquinas.
A identificação de textos representa um desafio diferente daquele encontrado em imagens. Conteúdos escritos podem ser copiados, fragmentados, parafraseados, traduzidos ou incorporados a produções humanas, dificultando a permanência de mecanismos capazes de apontar sua origem.
Tentativas anteriores de aplicar marcas d’água a conteúdos produzidos por inteligência artificial também apresentaram limitações, incluindo a possibilidade de remoção da identificação.

Plataformas ampliam controle sobre conteúdos produzidos por IA
A medida da Anthropic ocorre enquanto outras plataformas buscam formas de diferenciar produções humanas de materiais criados ou modificados por inteligência artificial.
O Substack, por exemplo, disponibilizou um scanner de IA que pode ser acionado pelos leitores para estimar quanto de uma publicação ou comentário foi produzido por humanos ou por sistemas automatizados. Escritores também podem apresentar informações sobre o processo utilizado na criação de seus conteúdos.
O YouTube também reforçou suas políticas relacionadas a materiais considerados inautênticos. A plataforma já restringia a monetização de vídeos repetitivos ou produzidos em massa e esclareceu que canais baseados em conteúdos genéricos e padronizados, incluindo determinadas personas de IA, podem perder acesso à receita.
O uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio, porém, continua permitido. Criadores podem recorrer à tecnologia em atividades como elaboração de roteiros e edição.
A marca d’água adotada pela Anthropic não impede que a identificação seja removida ou comprometida por alterações no conteúdo. A própria natureza dos textos torna difícil estabelecer um mecanismo permanente de rastreamento.
Outro desafio está em interpretar corretamente o significado da marca. Uma mesma identificação pode estar presente tanto em um material produzido integralmente por inteligência artificial quanto em um texto humano que tenha recebido apenas uma revisão ou tradução pelo Claude.
A iniciativa amplia os esforços para estabelecer mecanismos de transparência sobre a participação da inteligência artificial na produção de conteúdos digitais, ao mesmo tempo em que mantém aberta a discussão sobre como diferenciar diferentes níveis de utilização dessas ferramentas.
Foto: ChatGPT

