O movimento SomosCoop foi apresentado como case do cooperativismo brasileiro durante a Conferência Global da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), realizada na Cidade do Panamá.
A superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, mostrou a evolução da estratégia de comunicação, que passou de 29% de reconhecimento das cooperativas entre os brasileiros em 2018 para 55% em 2023.
A apresentação ocorreu nesta quarta-feira (16), durante o painel Building Bridges Through Communication: Speak Up, Scale Up!, dedicado ao papel da comunicação no fortalecimento do cooperativismo em diferentes países.
Criado pelo Sistema OCB, o SomosCoop é um movimento nacional voltado à identificação e valorização do cooperativismo. A estratégia busca criar uma identidade comum capaz de conectar cooperativas de diferentes portes e segmentos.
“O SomosCoop nasceu de um desafio muito claro: tínhamos cooperativas fortes, com marcas reconhecidas e histórias relevantes, mas precisávamos mostrar para a sociedade que todas elas fazem parte de um mesmo movimento. A construção de uma narrativa comum foi o caminho que encontramos para dar unidade a essa diversidade”, explicou Fabíola.
Pesquisa identificou desafio de reconhecimento
A criação do movimento foi orientada por pesquisas sobre o conhecimento dos brasileiros a respeito do cooperativismo. Em 2018, apenas 29% dos entrevistados sabiam citar uma cooperativa. Para o Sistema OCB, o resultado indicava uma dificuldade de reconhecimento: produtos e serviços de cooperativas estavam presentes no cotidiano da população, mas nem sempre eram associados ao modelo cooperativista.
Uma das respostas foi a criação do carimbo SomosCoop, desenvolvido para ser incorporado pelas próprias cooperativas em produtos, campanhas e materiais institucionais.
“A marca foi estruturada para ser modular e adaptável. Assim, cooperativas de diferentes portes e setores poderiam incorporar o carimbo a produtos, campanhas e materiais institucionais”, afirmou a superintendente.
Reconhecimento passou de 29% para 55%
Uma nova pesquisa realizada em 2023 mostrou que o percentual de brasileiros capazes de citar uma cooperativa havia alcançado 55%. Além disso, um em cada quatro entrevistados afirmou já ter tido contato com a marca SomosCoop.
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Para Fabíola, a adesão das próprias cooperativas foi uma etapa importante para ampliar a presença da identidade coletiva.
“Uma marca coletiva precisa fazer sentido para quem vai utilizá-la. Quando as cooperativas começaram a incorporar o SomosCoop às próprias estratégias, a marca deixou de ser apenas uma iniciativa institucional e passou efetivamente a pertencer ao movimento”, declarou.
Estratégia entra em nova fase em 2026
A comunicação do SomosCoop passou por diferentes etapas desde o lançamento da primeira campanha nacional, em 2020. Inicialmente, o trabalho esteve concentrado em ampliar o conhecimento sobre o cooperativismo e tornar sua identidade mais facilmente reconhecida pelo público.

Em 2026, a estratégia avançou para uma nova fase com o mote “Escolha consciente, escolha do coop”. A campanha busca aproximar o reconhecimento da marca das decisões de consumo, incentivando a identificação de produtos e serviços oferecidos por cooperativas.
“No início, era preciso ser conhecido. Depois, ser reconhecido. Agora, queremos converter esse reconhecimento em um vínculo mais próximo com o consumidor. A proposta é que ele identifique o carimbo SomosCoop, entenda o que essa marca representa e consiga fazer uma escolha consciente”, afirmou Fabíola.
Experiência brasileira é compartilhada com outros países
Durante a conferência, a superintendente também destacou que a experiência brasileira não foi apresentada como um modelo único a ser replicado internacionalmente.
Segundo Fabíola, diferenças culturais e características próprias do cooperativismo de cada país precisam ser consideradas na construção das estratégias de comunicação.
“Não estamos apresentando uma receita pronta. Cada país tem uma realidade, uma cultura e um movimento cooperativista diferente. O que podemos compartilhar é o processo: entender o problema, identificar aquilo que une as cooperativas, construir uma narrativa simples e criar ferramentas para que ela possa ganhar escala”, explicou.
A participação na Conferência Global da ACI também permitiu que o Sistema OCB apresentasse os resultados acumulados pelo movimento e acompanhasse experiências desenvolvidas em outros países.
“O SomosCoop foi construído ao longo de anos, com pesquisa, aprendizado e participação das cooperativas. Poder compartilhar essa trajetória mostra que temos experiências relevantes para oferecer, mas também nos permite ouvir, aprender e voltar ao Brasil com novas referências. Essa troca é parte fundamental do cooperativismo”, concluiu.
Fonte: Sistema OCB
Foto: ChatGPT

