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Home Cooperativismo defende debate sobre jornada 6×1 e vê tecnologia como aliada na adaptação
Camara do senado, discutindo sobre a escala 6x1

Cooperativismo defende debate sobre jornada 6×1 e vê tecnologia como aliada na adaptação

  • Marlon Barcelos
  • 2 de julho de 2026

A proposta de mudança na jornada de trabalho, que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da carga horária semanal, passou a integrar o centro das discussões sobre o futuro das relações de trabalho no Brasil.

O tema, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda análise no Senado, também mobiliza o cooperativismo, especialmente em ramos que dependem de operações contínuas, como saúde, transporte, produção, varejo, serviços e agroindústria.

No Sistema OCB, a avaliação é de que o debate deve ocorrer com responsabilidade, diálogo institucional e análise técnica. Em boletim trabalhista e sindical divulgado em junho, a entidade informou que acompanha a tramitação das propostas e defende uma discussão ampla sobre os impactos da medida para trabalhadores e organizações.

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Sistema OCB defende diálogo e negociação

Ao comentar os debates da 114ª Conferência Internacional do Trabalho, promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, o Sistema OCB reforçou a importância do diálogo social, do tripartismo e da negociação coletiva como instrumentos para enfrentar as transformações no mercado de trabalho.

A entidade avalia que a discussão sobre a jornada envolve diferentes interesses. De um lado, trabalhadores e entidades sindicais defendem maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, redução do desgaste físico e mental e melhoria da qualidade de vida. Do outro, organizações produtivas apontam desafios relacionados ao aumento de custos, reorganização das escalas, produtividade e sustentabilidade econômica.

O que muda com as propostas em discussão

A principal proposta em tramitação é a PEC 221/2019, que prevê a redução gradual da jornada semanal para 40 horas sem redução salarial. A mudança também altera a lógica da escala 6×1, modelo amplamente utilizado em atividades que funcionam aos fins de semana e feriados.

Outra proposta em análise é a PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho, conhecida como PEC do Trabalho Flexível. O texto prevê que o trabalhador possa optar entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado em horas efetivamente trabalhadas, preservando direitos e ampliando a flexibilidade para acordos sobre jornada e compensação de horas.

Segundo o Sistema OCB, qualquer alteração deve considerar as características de cada atividade econômica, especialmente no cooperativismo, onde convivem diferentes modelos de organização do trabalho, sazonalidade produtiva e forte atuação regional.

Indústria pede cautela na tramitação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também defende uma discussão mais ampla sobre o tema. O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que mudanças dessa dimensão exigem estudos técnicos e participação dos diversos setores envolvidos.

“Mudanças dessa magnitude exigem debate amplo, técnico e responsável”, afirmou.

A entidade estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, combinada ao fim da escala 6×1, possa elevar os custos com empregados formais em até R$ 267 bilhões por ano, equivalente a um aumento de aproximadamente 7%.

A CNI também declarou apoio à PEC 12/2026, que prevê maior flexibilidade nas relações de trabalho e recebeu apoio de cerca de três mil entidades empresariais.

Tecnologia ganha espaço como resposta

Enquanto o debate avança no Congresso, empresas e cooperativas também discutem como manter produtividade e competitividade em um cenário de jornadas menores.

Nesse contexto, automação, inteligência artificial e digitalização de processos aparecem como alternativas para ampliar a eficiência operacional sem depender exclusivamente da ampliação das equipes.

Segundo João Almeida, Head de Negócios da SH Squads, a possível mudança na jornada acelera um movimento que já vinha sendo observado em diversos setores.

“O principal movimento que se observa não é necessariamente a substituição de pessoas, mas a necessidade de as empresas crescerem sem ampliar seus custos na mesma proporção”, afirma.

Para ele, tecnologias de automação e agentes de inteligência artificial permitem otimizar atividades operacionais, reduzir tarefas repetitivas e preservar a margem operacional das organizações.

“Quando uma organização consegue automatizar atividades como atendimento ao cliente, cobrança, conciliação financeira, análise documental, suporte interno ou processos administrativos, ela protege sua margem operacional”, explica.

Pequenas empresas e cooperativas ampliam interesse pela IA

Embora grandes empresas liderem os investimentos em transformação digital, pequenas e médias organizações também começam a incorporar soluções baseadas em inteligência artificial.

Levantamento citado pela SH Squads aponta que 58% das empresas paulistanas ainda não utilizam IA em suas operações. Entre micro, pequenas e médias empresas, esse percentual chega a 62,4%. Ao mesmo tempo, 57% dos empresários afirmam ter interesse em conhecer melhor a tecnologia e suas aplicações.

Segundo Almeida, a popularização dos agentes de IA tornou esse tipo de solução mais acessível para organizações de diferentes portes.

“Automação era vista como algo acessível apenas às grandes corporações. Hoje, os agentes de IA permitem que pequenas e médias empresas automatizem processos inteiros com investimentos muito mais acessíveis”, afirma.

Nas cooperativas, essas soluções podem apoiar atividades como atendimento aos cooperados, gestão financeira, análise documental, logística, crédito, suporte técnico, comunicação interna e organização de escalas.

Operações híbridas tendem a ganhar espaço

Especialistas avaliam que a tendência não é substituir trabalhadores, mas ampliar modelos híbridos, nos quais pessoas e sistemas inteligentes atuam de forma complementar.

“A tendência é a formação de operações híbridas, nas quais profissionais e agentes de IA trabalham lado a lado. As empresas que conseguirem integrar essas capacidades terão ganhos importantes de produtividade, escala e competitividade”, avalia Almeida.

Para Bruno Cardoso, CTO da SH Squads, o principal impacto da inteligência artificial está na automação de tarefas operacionais, permitindo que as equipes concentrem esforços em atividades estratégicas.

“Toda grande evolução tecnológica eliminou determinadas tarefas, mas aumentou a importância das pessoas capazes de tomar decisões, resolver problemas e criar valor. Com IA acontece a mesma coisa”, afirma.

“O ganho mais relevante não está em fazer o mesmo com menos pessoas, mas em fazer muito mais com as mesmas pessoas”, conclui.

Cooperativismo acompanha mudanças no mundo do trabalho

Além das discussões sobre a jornada, o Sistema OCB também acompanha outras mudanças relacionadas ao ambiente de trabalho, como a atualização da NR-1, que passou a exigir a inclusão de riscos psicossociais nos Programas de Gerenciamento de Riscos, contemplando fatores como estresse, burnout e assédio.

Para o cooperativismo, o debate sobre a jornada de trabalho envolve questões que vão além da legislação. Produtividade, negociação coletiva, saúde ocupacional, inovação e sustentabilidade operacional fazem parte do cenário que deverá orientar as decisões do setor nos próximos anos.

Enquanto a proposta segue em análise no Senado, cooperativas acompanham a tramitação buscando conciliar segurança jurídica, diálogo institucional e adoção de tecnologias que contribuam para ampliar a eficiência das operações diante das novas demandas do mercado de trabalho.

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Marlon Barcelos

Foto: 12.senado.leg

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