A Nvidia reforçou sua estratégia de crescimento no mercado de inteligência artificial ao apresentar novos planos para expansão da linha de chips voltados a data centers.
Durante teleconferência com analistas realizada na quarta-feira (20), o presidente-executivo da companhia, Jensen Huang, afirmou que a empresa enxerga novas oportunidades bilionárias além dos atuais sistemas de IA generativa.
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O posicionamento veio após a divulgação do balanço trimestral da companhia, que registrou receita recorde de US$ 81,6 bilhões no primeiro trimestre fiscal, acima das expectativas do mercado.
Para o segundo trimestre, a Nvidia projetou faturamento de US$ 91 bilhões, também superando as estimativas dos analistas, que apontavam cerca de US$ 86,8 bilhões.
Nova linha Vera amplia mercado potencial da empresa
Durante a apresentação, Huang destacou o potencial comercial dos novos processadores centrais Vera, tecnologia que, segundo ele, abre um novo mercado estimado em US$ 200 bilhões.
A Nvidia projeta faturar aproximadamente US$ 20 bilhões com os chips Vera ainda neste ano fiscal. Segundo o executivo, esse potencial não estava incluído na previsão anterior da empresa, que estimava movimentar cerca de US$ 1 trilhão com as plataformas Blackwell e Rubin entre 2025 e 2027.
“Espero que o Vera seja o segundo maior contribuinte para as vendas, ficando atrás apenas do US$ 1 trilhão em chips da Blackwell e da Rubin”, afirmou Huang.
O executivo também reconheceu que a companhia deverá enfrentar limitações de oferta durante parte do ciclo da nova plataforma Vera Rubin, combinação tecnológica que será lançada ainda este ano.
Receita com data centers segue acelerando
A divisão de data centers continua sendo o principal motor financeiro da Nvidia. No trimestre, a área gerou US$ 75,2 bilhões em receita, acima das projeções médias de mercado, que estimavam cerca de US$ 72,8 bilhões.
A empresa também informou que ampliou seus compromissos de fornecimento e capacidade produtiva diante da demanda global por chips de IA.

Segundo a companhia, o volume de fornecimento avançou de US$ 95,2 bilhões para US$ 119 bilhões em relação ao trimestre anterior. O lucro ajustado da Nvidia ficou em US$ 1,87 por ação, também acima das expectativas do mercado.
Expansão da IA segue impulsionando investimentos
Os resultados da Nvidia são acompanhados de perto pelo mercado por serem considerados um indicador do ritmo de expansão da inteligência artificial no setor de tecnologia.
Atualmente, os chips da companhia alimentam grande parte dos principais data centers utilizados no treinamento e operação de modelos avançados de IA.
Segundo a Nvidia, empresas como Alphabet, Amazon e Microsoft devem investir juntas mais de US$ 700 bilhões em infraestrutura de IA neste ano, acima dos cerca de US$ 400 bilhões previstos anteriormente para 2025.
Mesmo assim, Jensen Huang afirmou acreditar que a Nvidia conseguirá crescer em ritmo superior ao dos chamados clientes de hiperescala.
O executivo destacou o avanço de um novo segmento formado por empresas especializadas em nuvem para IA, cujas receitas já se aproximam das obtidas junto às gigantes tradicionais da computação em nuvem.
“Deveríamos crescer mais rápido do que o investimento em infraestrutura de hiperescala”, declarou.
Mercado acompanha pressão competitiva no setor
Apesar dos resultados acima do esperado, analistas seguem atentos à sustentabilidade do crescimento da companhia nos próximos anos.
A expansão de concorrentes como Google, Amazon, AMD e Intel no mercado de semicondutores voltados à inteligência artificial é vista como um dos principais fatores de pressão competitiva.
Além disso, o setor acompanha a evolução das chamadas cargas de inferência, etapa em que modelos de IA passam a operar comercialmente em larga escala, movimento que pode alterar a dinâmica de demanda por hardware especializado.
A Nvidia também anunciou um programa de recompra de ações no valor de US$ 80 bilhões e informou aumento do dividendo trimestral em dinheiro, que passará de US$ 0,01 para US$ 0,25 por ação.
Paralelamente, a companhia divulgou novos acordos de computação em nuvem avaliados em US$ 30 bilhões, destinados ao fortalecimento de pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial.
Foto: Magnific

