O crescimento da indústria de alimentos plant-based está criando novas oportunidades para a cadeia da castanha de caju no Brasil. Antes fortemente dependente das exportações de amêndoas beneficiadas, o setor passa a ganhar força no mercado interno com a expansão de empresas que utilizam a castanha como matéria-prima para alimentos e bebidas vegetais.
Companhias como Vida Veg e A Tal da Castanha vêm ampliando a demanda nacional, contribuindo para agregar valor à produção, estimular novos investimentos na cajucultura e reduzir a dependência das vendas ao mercado externo.
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Produção cresce e agricultura familiar lidera o setor
Dados do IBGE, compilados pela Conab, mostram que a produção brasileira de castanha de caju em casca alcançou 141,8 mil toneladas em 2025, crescimento médio de 6,3% ao ano entre 2021 e 2025.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 53,5 mil estabelecimentos rurais produtores de castanha de caju, sendo aproximadamente 83% pertencentes à agricultura familiar.
O Nordeste permanece como o principal polo produtor da cultura. Em 2025, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte responderam por 92,7% da produção nacional, enquanto a região Nordeste concentrou 99,5% de toda a produção brasileira.
Mercado interno ganha competitividade
A valorização da demanda doméstica tem alterado a dinâmica do setor. Segundo a Conab, o preço pago ao produtor no mercado interno aumentou 35,8% em um ano, chegando a R$ 5,43 por quilo no Ceará em janeiro deste ano. No mesmo período, o valor do produto destinado à exportação recuou 22,6%, para R$ 6,46 por quilo.
Com isso, a participação das exportações no Valor Bruto da Produção (VBP) vem diminuindo. Enquanto o VBP nacional atingiu R$ 689,3 milhões em 2024, alta de 44,6% em relação a 2021, a receita das exportações caiu de US$ 90,7 milhões para US$ 43,9 milhões no mesmo intervalo.

Entre 2020 e 2024, o volume exportado pelo Brasil recuou a uma taxa média anual de 16,4%. Em 2025, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos reforçaram a pressão sobre as vendas externas da castanha, cujo principal mercado comprador é o norte-americano.
Alimentos vegetais ampliam consumo da castanha
A expansão do setor plant-based tem sido um dos principais motores desse novo cenário. A Vida Veg utiliza a castanha de caju na fabricação de queijos vegetais, requeijões e outros alimentos à base de plantas, adquirindo cerca de 100 toneladas por ano, principalmente de produtores do Ceará e do Rio Grande do Norte.
Já a A Tal da Castanha, uma das pioneiras na produção de bebidas vegetais no país, consome aproximadamente 3 mil toneladas de castanha por ano, adquiridas de agricultores familiares do Nordeste.
A maior demanda doméstica tem contribuído para fortalecer toda a cadeia produtiva e ampliar as oportunidades para os produtores.
Tecnologia favorece recuperação da produção
De acordo com a Conab, o crescimento da cajucultura também é resultado da adoção de clones de cajueiro-anão precoce, que proporcionam maior produtividade, além da recuperação gradual das lavouras após os períodos de estiagem prolongada registrados no Nordeste nos últimos anos.
A combinação entre inovação no campo, fortalecimento da indústria nacional de alimentos vegetais e maior consumo interno tende a consolidar um novo ciclo de desenvolvimento para a cadeia da castanha de caju no Brasil.
Foto:ChatGPT

